A banalização da prescrição de psicofármacos na infância
Enviada em 06/07/2021
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, garante a todos o direito à saúde. No entanto, quando se analisa o excesso de medicamentos utilizados no combate aos distúrbios comportamentais infantis no Brasil, percebe-se que esse direito não é uma realidade concreta. Esse cenário degradante é fruto tanto da omissão estatal quanto do egoísmo empresarial. Assim, é necessário analisar as raízes desse problema.
Inicialmente, é fulcral pontuar a ausência de políticas públicas no combate a esses excessos médicos. Segundo Thomas Hobbes, o Estado é responsável pelo bem-estar social, mas isso não ocorre no Brasil. Nesse sentido, devido à falta de campanhas informativas que alertem sobre os malefícios de tratamentos exagerados, o consumo de psicofármacos cresce descontroladamente entre os mais jovens, o que pode causar dependência química e emocional. De acordo com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro, houve um aumento de 775% no uso de ritalina entre as crianças nos últimos 10 anos. Logo, é inaceitável que o Brasil, embora queira se tornar um país desenvolvido, negligencie a saúde mental infantil dessa forma.
Adicionalmente, cabe citar que o egoísmo capitalista agrava a banalização dos tratamentos dos distúrbios comportamentais infantis. Conforme a teoria marxista, quando se prioriza o lucro em detrimento do bem comum, a sociedade padece. Nesse contexto, alguns médicos e indústrias farmacêuticas contribuem para a piora desse quadro, visto que preferem diagnósticos rápidos e lucros com medicamentos a tratamento alternativos mais trabalhosos, como terapias comportamentais que levassem em conta aspectos sociais e culturais da criança. Dessa maneira, enquanto o amor pelo dinheiro for uma regra, a dignidade humana será uma exceção.
Portanto, ações precisam ser tomadas para resolver esse quadro. Dessarte, a fim de humanizar o tratamento de distúrbios comportamentais infantis, o Ministério da Saúde deve, por meio de propaganda de rádio e TV em horário nobre, promover campanhas informativas que expliquem os malefícios do exagero na prescrição de psicofármacos para crianças, especialmente mostrando os benefícios de tratamentos alternativos que levem em conta aspectos sociais e emocionais. Ademais, as escolas de ensino fundamental devem realizar palestras com psicólogos especializados em tratamentos alternativos para que os pais e professores aprendam a enfrentar os problemas comportamentais sem utilização de medicamentos. Somente assim, a Constituição deixará de ser teoria e tornar-se-á uma realidade.