A banalização da prescrição de psicofármacos na infância
Enviada em 06/07/2021
De acordo com o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente(Conanda), há nos últimos anos no Brasil um aumento exacerbado de crianças que estão sob tratamento medicoso para problemas de aprendizagem e comportamento. Tais problemas, tratados como patologias neurológicas, tem chances de em muitos casos serem apenas problemas comportamentais. Logo, nota-se tanto um descaso dos responsáveis pelas crianças para com o psicológico das mesmas, como também uma falha do Estado ao permitir que medidas drásticas sejam tomadas em casos leves.
Portanto, se tantas crianças estão apresentanto problemas comportamentais, ter como solução do mesmo o tratamento medicoso, demonstra como por parte dos responsavéis pelas crianças há um descaso em relação aos efeitos colaterais. De acordo com a Conanda o uso excessivo de psicofármacos “apresenta riscos como a dependência física ou psicológica”. Logo, nota-se que se tal banalização da prescrição de psicofármacos na infância não for tratado, haverá no país uma geração inteira de índividuos dependentes químicos. Portanto, observa-se clara a necessidade de intervenção do Estado em tal situação.
Contudo, em 2015 o Ministério da Saúde recomendou que fossem utilizados tratamentos alternativos ao uso dos psicofármacos. Logo, nota-se que o uso excessivo de tais remédios para tratamento em crianças ocorre com total consciência do Estado, porém o mesmo não possui uma ação prática para o impedir. Assim, o direito da criança e do adolescente à saúde, prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente(ECA), é inflingido com uma cumplicidade do Estado. Ademais, se tal problema não for tratado de forma urgente, em poucos anos tal problema atravessará todas as camadas do país. Pois com uma geração de dependentes químicos, será uma questão educacional, econômica, de saúde pública, que terá consequencias imprevisíveis em todo o país.
Logo, é fundamental que os brasileiros entendam as consequências do uso excessivo de medicamentos para crianças, como também, que há alternativas menos incisivas. Com esse objetivo, o Ministério da Saúde, através de uma uma campanha conscientizadora, deve lançar uma parceria junto com as farmácias públicas e privadas. Na campanha serão inseridos indivíduos diretamente ligados a problemas decorrentes da dependência química de medicamentos, como parentes de dependentes, amigos e também ex-dependentes, e estes contarão suas histórias. Desse modo, a população brasileira se tornará mais consciente, e será possível concretizar a mitigação dessa ação tão banalizada, mas que possui grandes consequências. Assim criando um país que cuide de suas crianças e garanta a elas um futuro saudável.