A banalização da prescrição de psicofármacos na infância
Enviada em 06/07/2021
A lei N° 8080 instituiu o Sistema Único de Saúde no Brasil, o qual garante a proteção, recuperação e integralidade da assistência no âmbito da saúde. No entanto, a prescrição precipitada de psicofármacos no período infantojuvenil foi banalizada com o aumento desses medicamentos, o que pode acarretar em uma miríade de problemas, como a dependência desses medicamentos e a diminuição da qualidade de vida. Dessa forma, é importante que algo seja feito para que o uso de medicamentos sejam minimizados principalmente nessa faixa etária a fim de evitar problemas futuros.
Em primeira instância, cabe analisar que o diagnóstico do TDAH, Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, é o principal fator do uso expressivo de medicamentos na infância. De acordo com o Concelho Nacional da Criança e do Adolescente, CONANDA, cerca de 2 Milhões de remédios para o tratamento do transtorno em crianças são usados anualmente, o que causa dependência em 30% dos usuários. Tais dados comprovam o uso exagerado e o problema que é causado pelo uso exacerbado desses fármacos. Por isso, o ideal é que maneiras de diminuir o uso desses medicamentos sejam colocadas em prática para a erradicação do problema.
Ademais, tem-se a diminuição da qualidade de vida como consequência do uso de psicofármacos desde a infância. É fato que a espectativa de vida nas últimas décadas tem aumentado com o avanço da ciência e tecnologia, mas a projeção é que diminua com a incidência de muitos casos de doenças psicossomáticas, como ansiedade, depressão e transtorno do pânico. Segundo a Organização Mundial de Saúde, mais de 20 Milhões de brasileiros possuem transtornos mentais e os dados só tendem a crescer. E, a medicação de crianças e adolescentes contribuem com o aumento futuro desses dados, por isso, é um grande obstáculo para a obtenção de uma saúde integral na sociedade brasileira.
Diante disso, para que o problema seja revertido, o Estado deve incentivar a utilização de tratamentos alternativos em vez de medicamentos, por meio do aumento de profissionais da área da psicopedagogia nas escolas que possam auxiliar no aprendizado e comportamento de crianças que foram diagnosticadas com algum transtorno. Além disso, campanhas publicitárias sobre o assunto devem ser divulgadas nas redes sociais e televisivas, com o intuito de alertar sobre o uso de medicamentos e exponham a importância de tratamentos diferenciados anteriormente ao uso dos mesmos. Assim, é esperado que com o apoio das escolas e a conscientização da população, as crianças possam ter melhor qualidade de vida e não tenham sequelas futuramente.