A banalização da prescrição de psicofármacos na infância
Enviada em 07/07/2021
A série O Gambito da Rainha conta a história de uma enxadrista que durante sua infância, em um orfanato, era medicada com remédios diários para controle comportamental e deixar de brincar. Em seguida, mostra ela adulta, viciada em psicofármacos e sem saber lidar com situações cotidianas. Fora das telas, tal realidade se repete na vida de crianças que são diagnosticadas com algum “deficit”, uma vez que são medicadas e tem sua infância reprimida. Nesse sentido, a prescrição de medicamentos na infância é usado como meio de controle de ações para padronização de crianças, e de modo símile a série, o uso de medicamentos acarreta problemas como a dependência patológica.
Em primeira análise, há uma tentativa de controle de crianças que não apresentam o comportamento esperado pela sociedade através da prescrição e o uso banal de medicamentos. Mediante essa premissa, o filósofo Foucault afirma em seu livro “História da Loucura” que as pessoas são presas e consideradas loucas quando confrontam os conhecimentos e os costumes de uma sociedade. Nessa conjuntura, quando a criança tem um desempenho diferente em algo, é medicada por apresentar um “déficit”. Em suma, o modo de como a sociedade aborda pessoas com comportamentos diferentes é de repressão, assim como Foucault afirmou, com a medicalização e a marginalização.
Ademais, a medicalização da infância sem necessidade é prejudicial ao desenvolvimento da criança e gera dependência física e patológica. Desse modo, o documentário Take Your Pills apresenta depoimentos de pessoas usuárias de remédios de desempenho que ficaram dependentes químicas e não sabiam lidar com atividades consideradas básicas sem o auxílio das drogas. Logo, introduzir na rotina de uma criança o uso de psicofármacos, de modo banal com o objetivo apenas de controlar comportamentos infantis, é extremamente nocivo a infância e acarreta problemas para a vida toda.
Portanto, urge que o Ministério da Saúde, órgão responsável pela saúde pública, em parceria com o Poder Executivo, coíbam a prescrição de psicofármacos por meio da criação de uma lei que restrinja o uso de drogas para alterações psíquicas em crianças menores de 12 anos, assim, dificultando o acesso a esses medicamentos para evitar a banalização do diagnósticos de déficits. Tal medida tem o objetivo de proteger a infância e a pluralidade de personalidades que são desenvolvidas nos primeiros anos de vida, tudo através do combate à banalização da prescrição de psicofármacos.