A banalização da prescrição de psicofármacos na infância
Enviada em 09/07/2021
Sob a perspectiva de Immanuel Kant, ‘‘É no problema da educação que se assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade’’. De maneira análoga, percebe-se que há, no Brasil, um deficit educacional capaz de expandir a banalização da prescrição de psicofármacos na infância. Dessa forma, urge que medidas sejam tomadas para amenizar a problemática, que é motivada não só pela incompreensão da realidade psicológica da criança, mas também pelo despreparo familiar e escolar para lidar com as adversidades.
Em uma primeira análise, vale ressaltar que a incompreensão da fisiopsicologia da criança está entre as causas do problema, tendo em vista que o comportamento varia de acordo com estímulos, classe social, dificuldades familiares e sensação de pertencimento. Nessa lógica, segundo Freud, em seu livro ‘‘Psicologia das massas e Análise do Eu’’, indivíduos tendem a suprir o próprio ego e agir de acordo com o meio, oprimindo as diferenças. Tendo isso em vista, ressalta-se a importância de certos setores da sociedade, a exemplo de famílias e escola, na formação cidadã dos brasileiros. Desse modo, é inaceitável que o cenário visto pela prescrição indiscriminada de psicofármacos fira a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Ademais, a elaboração da Constituição Federal foi baseada no sonho do bem-estar social para todos os indivíduos, incluindo as crianças. Entretanto, é notório que o Poder Público não cumpre o seu papel enquanto agente fornecedor de direitos mínimos, uma vez que falsos TDAH são diagnosticados diariamente, por exemplo. Nesse sentido, percebe-se que essa inaceitável questão de vulnerabilidade das crianças configura não só um desrespeito colossal, mas também uma desvalorização descomunal do desenvolvimento da psique humana.
Diante dos fatos supracitados, faz-se necessário que a escola, em parceria com as famílias, promova o entendimento do desenvolvimento escolar na infância por meio de cartilhas informativas, reuniões e salas de debate acerca do limiar entre patologias da mente e o crescimento normal da criança. Nesse sentido, o intuito de tal medida é a compreensão da criança num todo, e o olhar completo no entendimento da situação, ao sair apenas do viés médico para diagnosticar qualquer conduta de uma criança fora do esperado nos parâmetros normais. Dessa forma, no viés de Immanuel Kant, o aperfeiçoamento e distinção da normalidade e patologia, está no apefeiçoamento da humanidade pela educação.