A banalização da prescrição de psicofármacos na infância
Enviada em 11/10/2021
Debate-se, com frequência, acerca da banalização da prescrição de psicofarmacos na infância, haja vista que muitas crianças são medicadas para terem seus comportamentos controlados de maneira indiscriminada. Isso ocorre devido à falta de consciência dos responsáveis acerca dos malefícios dessa administração indiscriminada. Além disso, a carência de suporte e tratamentos alternativos para crianças com transtornos, contribui para esse problema. Por isso, tal situação deve ser combatida.
Primeiramente, com o advento da tecnologia e da globalização, tudo começou a ser mais acelerado afetando a concentração de adultos e, principalmente, de crianças que se desenvolveram na era digital. Dessa maneira, nota-se um costume cada vez mais frequente da administração de remédios como a Ritalina para controlar o comportamento e aumentar a concentração dos infantes. Isso se deve à falta de consciência dos pais acerca dos malefícios que a administração inadequada que esse tipo de medicamento pode causar, como a dependência, a ansiedade e a incapacidade de gerir o comportamento. De acordo o documentário “A Medicalização da infância”, de 2015, muitas pessoas começam a medicar seus filhos, sem uma real necessidade apenas por comportamentos inadequados, que constantemente são normais da infância.
Somado a isso, a carência de suporte e tratamentos alternativos para crianças que possuem algum transtorno de concentração ou comportamental contribui para essa situação. Uma vez que, muitas vezes, sem saber o que fazer os responsáveis desses jovens veem como a única opção de tratamento o uso de psicofarmacos para lidar com a situação de seus filhos, quando na realidade é possível que essas pessoas tenham uma qualidade de vida boa com métodos alternativos e mais saudáveis, deixando a utilização de remédios como a última opção de tratamento. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos, em alguns casos e a longo prazo, a psicoterapia pode ser tão eficiente quanto o medicamento.
Assim sendo, é imprescindível que esse problema seja enfrentado. Por isso, o Ministério da Saúde, órgão responsável pela promoção, proteção e recuperação da saúde, deve reduzir a banalização de psicofarmacos na infância, por meio da divulgação de campanhas publicitarias sobre os malefícios da administração indiscriminada desses medicamentos a crianças com o objetivo de conscientizar pais e responsáveis e reduzir a medicalização da infância. Ademais, o MS deve oferecer suporte e tratamentos alternativos para os portadores de transtornos, por meio de programas de auxilio e disponibilização de psicoterapia nas unidades básicas de saúde, com o fito de oportunizar outra abordagem de tratamento e reduzir a administração de medicamentos na infância.