A banalização da prescrição de psicofármacos na infância
Enviada em 19/07/2021
De acordo com o Iluminismo, corrente política e ideológica, uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. Entretanto, na sociedade brasileira atual constata-se que essa alusão não é verifica na práxis, visto que crianças acometidas de adversidades comportamentais ou de aprendizagem são tratadas de maneira errônea, muitas vezes, como portadoras de doenças psíquicas pelos pais e professores sem a devida investigação social e médica da criança, logo, devido a essa medida paliativa a banalização da prescrição de psicofármacos na infância persiste a realidade da nação. Nesse âmbito, nota-se que os impasses como: a falha educação societária quanto a essa questão e a falta de interesse e apoio social pleno quanto a esse panorama devem ser superados de imediato, para que uma progressão societária seja evidenciada. Em uma primeira análise, tem-se a falha educação societária quanto a essa questão. Isso pode ser relacionado à teoria funcionalista de Durkheim. Segundo o pensador, o corpo social funciona como um corpo biológico, em que todas as suas partes integrantes possuem influência umas sobre as outras, ou seja, o que ocorre em uma parte da sociedade reflete-se no todo de algum modo. Dessa forma, devido ao irregular ensino público sobre os efeitos da medicalização inadequada, especialmente, a crianças, apresentam-se como efeito a trivialização desse ato. Ademais, como agravante, contém-se a falta de interesse e apoio social pleno quanto a esse panorama. Sobre isso, de acordo com Schopenhauer, o ser humano é essencialmente egoísta, sendo motivado pela busca do próprio bem-estar e pela manutenção de sua própria existência. Desse modo, caso alguém não se sinta prejudicado por um revés social, há a tendência de este indivíduo não se preocupar com o assunto e, assim, não exigir seu combate. Atrelando esse pensamento a temática, como não são todos os brasileiros que se relacionam com crianças acometidas com a prescrição indevida de psicofármacos, não há a devida pressão popular para que o governo atue sobre esse transtorno, o que permite um relaxamento no seu combate, consequentemente, sua manutenção. Destarte, torna-se evidente que a temática apresenta diversos percalços dentre os quais, a falha educação societária e a falta de interesse e apoio social pleno. Para minimizar os aspectos em pauta, é dever do Ministério da Educação e Cultura, órgão responsável por fomentar o intelecto de todos os cidadãos brasileiros, por intermédio de palestras e atividades lúdicas, instruir e alertar alunos e responsáveis sobre os corolários da banalização da medicalização, com a finalidade de mitigar esse problema. Com isso, os preceitos iluministas serão ratificados e um progresso social alcançado.