A banalização da prescrição de psicofármacos na infância
Enviada em 13/08/2021
Durante a Idade Média, aqueles com transtornos mentais eram associados aos demônios e vistos como entes possuídos e, por isso, passavam seus dias acorrentados e expostos ao frio e à fome ou, em casos extremos, queimados em fogueiras como hereges. Distante dessa realidade, nos dias atuais esses distúrbios são visos como situações tratáveis, porem a banalização da prescrição de psicofármacos, principalmente na infância, estimula o crescimento de uma sociedade depende desses produtos, os quais, na maioria das vezes, não são realmente necessários. Isso posto, é importante analisar como a negligência estatal e a educação brasileira instigam esse contexto.
Em primeiro lugar, é necessário destacar como a área governamental costuma lidar com a saúde no Brasil. O sociólogo Karl Marx ressaltava a existência do materialismo histórico, ou seja, a economia move a sociedade. Nesse sentido, não há um incentivo político para a redução da taxa do uso de fármacos, uma vez que a produção de remédios não será interrompida ou reduzida, já que gera lucro em forma de impostos. Desse modo, as crianças são os principais alvos, posto que produzir uma dependência de psicofármacos durante a infância, garante uma maior possibilidade de que ela continue ao longo da vida do paciente.
Ademais, é válido salientar sobre o impacto da educação brasileira no problema. Por esse ângulo, atualmente, a mentalidade social está carregada com a ideia que ao desencadear qualquer problema corporal ou mental, é essencial a utilização apenas de medicamentos para a melhora. Todavia, existem outros tipos de tratamentos que não envolvem produtos químicos, porem devido a precária educação do país, as drogas são geralmente a primeira escolha dos profissionais da saúde. Dessa forma, é possível observar uma faixa populacional jovem dependente e com desenvolvimento comprometido devido ao uso exagerado de fármacos.
Mediante o exposto, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. Portanto, é mister que o Ministério da Educação, órgão do governo responsável pela elaboração e execução da Política Nacional de Educação, promova, por meio de verbas públicas, anúncios em plataformas digitais como YouTube e Twitter, ressaltando os impactos do uso excessivo de medicamentos, tanto mentais quanto físicos, e os possíveis tratamentos alternativos para cada situação, a fim da conscientização da população e redução da banalização da prescrição de psicofármacos, principalmente na infância.