A banalização da prescrição de psicofármacos na infância
Enviada em 12/08/2021
Os psicofármacos são medicamentos utilizados para o tratamento de doenças mentais, sendo introduzidos no Brasil a partir da década de 60. Porém, seu uso está sendo enraizado na sociedade brasileira, tornando cada vez mais comum a utilização em crianças. Apesar de haver casos em que a medicação seja necessária com o devido controle, muitas crianças estão sendo submetidas a altas dosagens de remédios, apenas pelo seu comportamento agitado.
É indubitável que a saúde brasileira passa por períodos de dificuldades. A eclosão da pandemia acarretou também na área relacionada a saúde mental. Com a fragilização desse setor, causa-se uma escassez de profissionais, fazendo com que pais de diversas crianças acabem realizando o tratamento do filhos por conta própria, sendo que na maioria dos casos as mesmos apenas são inquietos.
Outrossim, a trivialização do uso desses medicamentos para crianças está relacionada a busca desenfreada por dinheiro de muitas empresas, que visam o dinheiro, quando deveria-se visar o bem estar da população. Segundo o geógrafo Milton Santos, a globalização tem dois lados, podendo ser vista como algo belo ou como perversidade; ao divulgar seus produtos, a indústria farmacêutica apresenta os mesmos como algo exclusivamente benefíco que irá sanar todos os problemas do cliente, mas muitas vezes não apresentam suas consequências negativas.
Portanto, a normatização de psicófarmacos em crianças é resultado de uma sociedade gananciosa e de um setor de saúde passando por diversos problemas. É preciso que o Ministério da Saúde distribua cartilhas para a população que expliquem e orientem os pais sobre como devem agir em caso de alguma suspeita sobre o estado mental da criança. Conjuntamente, a mídia televisiva deve exibir no horário nobre, campanhas que alertem sobre o perigo de psicofármacos na infância sem um motivo comprovado. Somente com cooperação e esforço, as crianças do país poderão desfrutar de uma infância saudável.