A banalização da prescrição de psicofármacos na infância
Enviada em 11/08/2021
A série audivisual ‘‘O Gambito da Rainha’’ retrata a trajetória de Beth, uma mulher prodígio no xadrez que durante a sua infância, foi fortemente medicamentada, e na idade adulta, a depêndencia pelas substâncias se manteve. Concomitante com a realidade, muitas crianças, assim como Beth, são vítimas da irresponsabilidade médica e são submetidas a medicamentos psicoativos desnecessários. Logo, torna-se imperativo o debate acerca da prescrição de psicofármacos na infância.
A priori, um dado do Instituto Brasileiro de Defesa dos Usuários de Medicamentos afirma que o Brasil é o segundo maior consumidor de Ritalina, um medicamento tarja preta indicado às crianças que sofrem com Transtorno de Deficidt de Atenção e Hiperatividade. Tendo isso em vista, é nítido observar que um fármaco tão agressivo não deveria ser consumido nessas proporções por jovens. Nesse contexto, vale ressaltar que o uso demasiado psicoativos possuem diversos efeitos colaterais, prejudicando outro aspecto da saúde do consumidor, tal como o desenvolvimento de problemas gastro-intestinais e dependência.
Além disso, vale ressaltar também que a cultura da medicalização passa uma falsa sensação de solução do problema, quando na verdade a atenção deveria estar voltada para a raiz dos problemas psicológicos e para inteligência emocional. Segundo Thomas Hobbes, a única função do Estado é a regulação das funções humanas. No entanto, é claro perceber a disfunção emocional que acomete crianças e adolescentes, e são tratadas de maneira errônea e induzidas ao abuso de medicamentos. Dessa maneira, é evidente pontuar a falta de qualificação no atendimento ás demandas emocionais das crianças e jovens.
Logo, entende-se, diante do exposto a real necessidade de ações governamentais que garantam a assistência correta aos pacientes infantis. Para tanto, o Ministério da Saúde deve regulamentar a prescrição de medicamentos por meio de leis que averiguem e controlem os casos clínicos, com o intuito de restringir o consumo abusivo dos medicamentos por crianças. Ante essa ação, espera-se promover uma melhora das condições de suporte ás crianças que sofrem com transtornos psicológicos.