A banalização da prescrição de psicofármacos na infância
Enviada em 08/08/2021
Nos dias atuais, o assunto acerca das patologias mentais tem sido discorrido pela sociedade e mídia com cada vez mais frequência, em decorrência disso, temas como TDAH (Déficit de atenção e hiperatividade) não é mais estranho a grande parte da população, visto que de 2003 para 2012 houve um aumento de 781 quilos no consumo de ritalina no Brasil, de acordo com a revista Veja, dado este que comprova que a cada dia que passa, mais crianças e adolescentes tem sido diagnosticados com esse transtorno. E, infelizmente, esses diagnósticos recorrentes escondem sérias problemáticas como os problemas educacionais que contribuem para problemas de aprendizagem e o aumento das taxas de dependência em menores. Ironicamente, num país em que, de acordo com o renomado intelectual brasileiro Milton Santos, a democracia deve ser capaz de assegurar que os direitos universais sejam usufruídos por todos os cidadãos, entre eles a saúde e educação.
Em primeiro lugar, o aumento dos diagnósticos de TDAH aponta que é frequente a existência de estudantes com problemas de aprendizagem, visto que o atual sistema educacional brasileiro é defasado em contéudo (principalmente para a população mais pobre) e em métodos eficazes de ensino, gerando uma gama de alunos com dificuldades de aprendizado e desenvolvimento lento ou tardio em simplicidades como interpretação de texto e leitura. Lamentávelmente, muitos desses estudantes são diagnosticados como portadores do transtorno de atenção, escondendo as raízes do problema social que é a educação brasileira.
Além disso, devido ao aumento do uso de medicações, proporcionalmente, existe também o aumento dos abusos em crianças e adolescentes, capazes de gerar dependência nos menores e acarretando uma série de outros problemas, como o isolamento social dos indíviduos dependentes e o risco de saúde. Assim como, em casos de indíviduos jovens, possivelmente afetar de maneira prejudical seu desenvolvimento e iserção social, devido ao preconceito e às alterações de comportamento decorrente dos próprios vícios.
Portanto, a partir da necessidade de combater esses problemas, o poder legislativo deve, por meio da elaboração de leis mais rígidas, estabelecer processos de identificação obrigátórios mais eficazes para os diagnósticos de médicos e psicólogos, afim de que estes detectem outras possíveis causas para problemas de aprendizagem, assim como, obrigatoriamente, devem oferecer tratamentos alternativos para crianças e adolescentes, para que, em último caso seja feito o uso de medicação e assim assegurar melhor o direito a saúde das crianças brasileiras, que também compõem o corpo social da nossa sociedade democrática.