A banalização da prescrição de psicofármacos na infância

Enviada em 13/08/2021

De acordo com a World Health Organization, o Brasil se encontra na liderança de nação mais ansiosa do mundo e como sendo a quinta mais depressiva. Entretanto, pela proporção de distúrbios mentais no país , novos problemas surgem com tal situação, sobretudo à questão da vulgarização do acesso medicacional às crianças — um fator alarmante para o desenvolvimento infantil. Assim, é possível afirmar que não só a falta de preparo emocional da população, mas também a falta de amparo parental fomentam o status quo contemporâneo do século XXI.

Inicialmente, é necessário contrariar a ideia de que se sentir mal é uma deleteriedade incontornável sem o uso de uma fórmula mágica científica para suprimir tal sentimento. Por exemplo, na filosofia do estoicismo,  a qual promove uma aceitação das adversidades sem revolta, é notável a ideologia de se ensinar a sofrer — ou melhor, sofrer da melhor forma possível —, uma ferramenta útil para contornar os problemas cotidianos. A priori, a ocultação dos problemas sociais, especialmente na infância, é uma falha do comportamento humano, pois eles são uma forma de preparação para a vida adulta — afinal, a infância é uma fase de aprendizado, não de entorpecimento com remédios psicológicos para evitar contraposições.

Ademais, outro tópico importante a se dicutir tange à questão da negligência familiar para com as próprias crianças, as quais estão conectadas cada vez mais precocemente  à internet em decadência de convívios afetivos. Conforme a empresa britância GlobalWebIndex, os brasileiros estão na segunda colocação de maior conectividade nas redes sociais, essas que promovem uma idealização de um mundo perfeito e que abraçam a falta de senso crítico infantil. A partir desse aspecto,  se a própria população adulta consegue se sentir infeliz com o conteúdo romantizado que é compartilhado nas redes, não é de se espantar que crianças comecem a sentir da mesma forma — e as indústrias farmacêuticas vendem cada vez mais com a prescrição medicinal.

Detarte, é dever do Estado, no âmbito de ministérios atuantes, em consonância com instituições de saúde e ensino, realizar a conscientização populacional por intermédio de palestras educativas e campanhas publicitárias acerca não só da perniciosidade do precoce acesso às tecnologias, mas também da importância do encorajamento familiar na psique juvenil, com incentivos à resolução dos próprios problemas e que  tudo bem nem sempre estar bem. Espera-se, com tudo isso, uma melhoria significativa do padrão prescritivo por médicos e uma maior autonomia familiar para o fortalecimento da mentalidade futura.