A banalização da prescrição de psicofármacos na infância

Enviada em 28/08/2021

No documentário estadunidense “Take your pills” retrata a vida de pessoas dependentes de remédios estimulantes, como ritalina e adderall, estes são medicados para pessoas com déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), porém se tornou uma epidemia entre pessoas saudáves, que desejam êxito no meio acadêmico e trabalhista. Infelizmente, fora da ficção, é comum o uso de psicofármacos em crianças, fato problemático, uma vez que a depedência muita vezes se prolonga pelo resto de vida. Desse modo, é necessária uma discussão mais efetiva no que tange ao preconceito contra tratamentos psicoterapêuticos e o lucro demasiado da indústria farmacêutica.

Cabe analisar, de início, que atualmente é recorrente que qualquer mal-estar nas crianças, pode ser diagnosticado como uma patologia, cujo os medicativos sejam psicofármacos. Nesse viés, é importante destacar o pensamento do sociólogo Zygmunt Bauman, que as instituições estão perdendo sua função social e se tornando “instituições zumbis”. Dessa maneira, a prescrição médica de medicamentos psiquiátricos para crianças e adolescentes, apesar de não ser necessária em muitos casos, afirma que os hospitais no âmbito psiquiátrico estão perdendo sua função social, uma vez que a banalização de psicofármacos se tornou algo corriqueiro.

Outrossim, vale ressaltar o pensamento do sociólogo Karl Marx, que em um mundo capitalizado, a incessante busca pela riqueza ultrapassa quaisquer valores morais e culturais de uma sociedade. Nesse contexto, a venda de medicamentos psiquiátricos para jovens é eficaz para a indústria farmacêutica, uma vez que a depedência destes leva ao lucro demasiado, o que confirma o pensamento de Marx. Nesse sentido, depreende-se que existe a indispensabilidade de se extinguir tal conjuntura responsável por impactos nocivos à sociedade.

Portanto, medidas são necessárias para mitigar o problema. Logo, cabe ao Ministério da Saúde fiscalizar a venda de psicofármacos prescritos para crianças, de forma mais rigorosa, por meio da criação de um protocolo nacional, que deixe explícito em quais casos são necessários a venda de tais medicamentos, a fim de reduzir a venda demasiada desses remédios para crianças, evitando assim uma submissão futura e minimizando o título “instituição zumbi” dedicado aos hospitais.