A banalização da prescrição de psicofármacos na infância

Enviada em 03/09/2021

Em sua obra “Ensaio sobre a cegueira”, o escritor José Saramago ressalta a responsabilidade de ter olhos quando todos perdem. Sob essa ótica, nota-se uma espécie de cegueira social, intrincada na sociedade, a qual impede os indivíduos de enxergarem problemas, como a banalização da prescrição de psicofármacos na infância. Nesse sentido, o preconceito contra comportamentos alternativos em crianças e a resistência contra tratamentos psicoterapêuticos. Dessa forma, cabe analisar as causas e consequências dessa questão.

Em primeiro lugar, vale ressaltar a relação do preconceito com crianças que possuem um comportamento fora do padrão com a questão em pauta. Nesse contexto, de acordo com o filme “Como estrelas na terra”, cada criança deve ser tratada de um jeito diversificado, para que ela consiga explorar ao máximo sua criatividade e descobrir múltiplas habilidades. Fora das telas, é perceptível como muitos pais e professores quando veem um comportamento anormal já pensam que a criança possui alguma dificuldade, como TDAH. Posto isso, já procuram um médico para começar a dar de forma irresponsável e descomunal psicofármacos para a criança, criando assim uma grande dependência química mesmo nessa tão pouca idade.

Outrossim, a resistência contra tratamentos psicoterapêuticos está diretamente atrelada com a banalização da prescrição de psicofármacos na infância. Sob esse prisma, o doutor, cientista e escritor brasileiro, Drauzio Varella, disse em uma entrevista ao grupo Globo que muitas pessoas desvalorizam o tratamento em psicólogos, apesar de ser, comprovado cientificamente, a forma mais saudável e segura de resolver diversos problemas psiquiátricos. Fora da ciência, é perceptível o grande preconceito com esse tipo de tratamento, o que as direciona para métodos químicos. Nessa perspectiva a descriminação de psicólogos e suas terapias, pode causar, segundo a OMS, uma grande dependência química, causando diversos problemas na saúde da criança para o resto de sua vida.

Depreende-se, portanto, que o preconceito contra comportamentos alternativos em crianças e a resistência contra tratamentos psicoterapêuticos são causas do problema discutido. Logo, é basilar que o Ministério da Saúde, promova campanhas educativas, por meio de propagandas, em parceria com influenciadores digitais, sobre o quão ruim é a vida de um dependente químico, com artigos, estudos e depoimentos de ex-dependentes químicos e seus familiares, com a finalidade de mostrar a população o quão ruim isso pode se tornar na vida de alguém. Desse modo, pode-se impedir a banalização da prescrição de psicofármacos na infância.