A banalização da prescrição de psicofármacos na infância
Enviada em 09/09/2021
Theodor Adorno, em sua obra “Dialética do Esclarecimento”, propõe um projeto de libertação do homem da opressão e massificação, por meio de uma ampla formação humanística. Para o filósofo alemão, o indivíduo deve caminhar na direção de uma consciência crítica baseada na dignidade e no respeito às diferenças. Considerando essa perspectiva na análise da conjuntura atual, tem-se a questão da banalização da prescrição de psicofármacos na infância, o que reflete a necessidade de um olhar atento às vítimas da problemática.
Em primeira análise, o legado deixado pelo geógrafo Milton Santos, o meio técnico-científico-informacional, reflete um mundo com a necessidade de maior rapidez em produção e distribuição de produtos. Analogamente ao processo citado, há uma imposição de um comportamento regular às crianças, sendo que a prescrição de remédios ao público alvo em casos de distração ou dificuldade de concentração nas escolas é visto como algo comum e necessário. Dessa maneira, devido ao tratamento por psicofármacos ser considerado de súbita eficiência, há uma banalização na utilização deste para a cura dos enfermos.
No entanto, de acordo com o Conselho Nacional dos Direitos da criança, com a utilização escessiva de medicamentos para tratamento de transtornos comportamentais em crianças, há riscos como dependência patológica ou física. Por conseguinte, os malefícios do uso dos remédios pode tornar-se maior que seus benefícios, sendo que a falta do uso do produto pode causar sintomas de abstinência aos usuários. Sendo assim, a problemática viola o artigo 5° da Constituição Federal brasileira, por não garantir a inviolabilidade à vida, pois não há a proteção da origem humana.
Feita essa análise, fica evidente a necessidade de mudanças garantidoras do bem-estar coletivo. Posto isto, torna-se imprescindível que o Ministério da Educação, como instrumento de metamorfose social, atue com palestras e debates acerca da importância do cuidado com a prescrição de remédios sem real necessidade aos jovens, por meio de escolas e associações de bairro, de modo a garantir maior consciência crítica com o assunto abordado. Somente assim poderá ser seguido os preceitos de Adorno, no caminho de um mundo mais digno e com menor banalização da prescrição de psicofármacos na infância.