A banalização da prescrição de psicofármacos na infância

Enviada em 09/09/2021

Como citou August Cury em seu livro “Ansiedade”, o mundo atual passa por um crescente grau de agitação e inconstância comportamental, caso esse que se deve, principalmente, a criação da internet. Ainda em seu livro, Cury comenta que todas as faixas etárias são afetadas por essa confusão generalizada, tendendo, contudo, a afetar mais as idades que aprendem, desde crianças, a aderir a essa forma agitada de viver. Dessa maneira, é notório que a obra faz referência, mesmo que indiretamente, à prescrição de psicofármacos na infância, o qual, de maneira habitual, acontece de forma errada.  Nessa lógica, deve-se ter em mente que a exposição infantil para tecnologias e a aceitação do senso comum por parte da população são pilares que sustentam o prosseguimento da prática.

Em primeira análise, é importante salientar que a utilização infantil de meios tecnológicos é uma causa provável da problemática citada. Em viés de conhecimento, segundo a Biologia, a primeira infância, a qual ocorre entre os 6 e os 8 anos de idade, é de suma importância para o desenvolvimento cognitivo, pois o que for aprendido nessa idade será, muito fortamente, reproduzido por toda vida. Conquanto, ainda segundo Cury, com esse mundo incerto e agitado, dar utensílios tecnológicos para crianças leva-as a assimilarem um estresse maior que o limite da idade. Logo, atitudes como essa, durante a primeira infância, geram problemas psicológicos e comportamentais, os quais, na tentativa de diagnóstico, tendem a parecer, por exemplo, TDAH. Em suma, por seres resultados de uma mesma atitude, comportamentos agitados e o TDAH podem se confundir, banalizando a prescrição de remédios para o combate ao transtorto, mesmo, às vezes, não sendo transtorto, gerando dependência a isso.

Ademais, o não conhecimento perante ao tema gera, normalmente, o seguimento da trivialização de remédios psicológicos para crianças. De forma previamente citada, a adesão infantil a tecnologias gera mudanças comporamentais ou psicológicas, as quais são de difícil diagnóstico. Não obstante, em virtude do desconhecimento na questão, a população continua acreditando no senso comum, o qual diz que não há problema em dar acesso à computadores para crianças, fato esse demostrado por um dado do IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, cerca de 34% das crianças já tem acesso de tecnologias antes dos 4 anos de idade, o que, em síntese, agrava a banilização desses farmácos.

Dessarte, em vista dos fatos supracitados, se mostra clara a necessidade de intervenção. Para que que a realidade da trivialização de prescrições farmacológicas deixe de ocorrer, urge ao Governo Federal promover a divulgação de instruções quanto ao problema de dar acesso celulares e afins para crianças, isso tudo por meio de veículos e redes midiáticas. Outrosssim, caberia à profissionais desta área criar as intruções que seriam divulgadas, mudando, logo, a realidade conturbada dita por Cury.