A banalização da prescrição de psicofármacos na infância
Enviada em 09/09/2021
No documentário ‘‘O começo da Vida’’, são retratados os processos de formação de um indivíduo durante a ‘‘primeira infância’’, o que engloba as percepções socioemocionais iniciais de um ser humano até os seis anos de idade. Paralelamente a isso, o Brasil contemporâneo evidencia barreiras significativas que prejudicam esse período crucial, devido à banalização da prescrição de psicofármacos na infância, o que necessita ser combatido. Logo, deve-se averiguar dois dos principais fatores que concretizam a problemática: a influência mercadológica da indústria farmacêutica e a ineficiência de agências reguladoras no Brasil.
A priori, é fulcral ilustrar tais empecilhos por meio do conceito de ‘‘ilusão da contemporaneidade’’, orquestrado pelo filósofo Sartre. Nesse sentido, os cidadãos são manipulados, a partir de premissas modernistas, de modo que a lucratividade da indústria farmacêutica seja priorizada em detrimento de outros meios de tratamento, os quais não envolvem psicofármacos. Por sua vez, medidas alternativas são desprezadas, de modo que o bem-estar de crianças com distúrbios psíquicos seja associado necessariamente, devido a essa interferência mercadológica, ao uso de medicamentos.
Outrossim, a ineficácia de organizações que regularizam o uso de psicofármacos na infância contribue para o engessamento dos obstáculos. Nesse âmbito, fica evidente que as ‘‘instituições zumbis’’, como já abordado pelo sociólogo Zygmunt Bauman, persistem na sociedade, visto que, apesar da existência de agências que combatem os excessos farmacêuticos, o problema persevera. Em vista disso, a banalização do uso dessa espécie de medicamento corrobora com a formação de crianças progressivamente mais dependentes dos químicos, haja vista que o Poder Público não busca maneiras efetivas de driblar essa circunstância.
Portanto, para que as barreiras mencionadas sejam atenuadas, é mister que o Ministério da Saúde fomente a reflexão sobre o excesso de psicofármacos e potencialize as fiscalizações já existentes. Tais medidas poderão ser realizadas por meio de convenções em parceria com o Conselho Federal de Medicina, de modo a promover o debate sobre os limites do uso de medicamentos na infância, bem como por meio do aumento do número de agências que fiscalizam excessos em prescrições médicas. Desse modo, assim como abordado em ‘‘O começo da vida’’, as primeiras fases da vida de um indivíduo seriam preservadas adequadamente, distante de excessos maléficos à saúde.