A banalização da prescrição de psicofármacos na infância

Enviada em 12/09/2021

Em sua obra “Ensaio sobre a Cegueira”, o escritor José Saramago ressalta a importância de terem olhos quando todos os perdem. Sob essa ótica, nota-se uma espécie de cegueira social que impede os indivíduos de enxergarem problemas, como a banalização da prescrição de psicofármacos na infância. Nesse sentido, o sistema de ensino falho aliado com a prescrição desnecessária para o uso de medicamentos potencializam essa problemática. Assim, são prementes discussões acerca dos impactos dessa premissa na vida estudantil dos jovens.

Em primeira análise, cabe destacar que o sistema educacional precário agrava a banalização do uso de remédios. Nesse contexto, segundo a Primeira Lei de Newton conhecida como o Princípio da Inércia, a tendência de um corpo é permanecer parado quando nenhuma força é exercida sobre ele. Fora da física, é evidente a mesma condição no que se refere ao método de ensino a qual segue sem uma força capaz de resolver essa questão. Sob esse prisma, essa metodologia de ensino é antiga e ultrapassada, pois visa ensinar os estudantes de forma generalizada “excluindo” aqueles que possuem algum transtorno psicológico, como transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Posto isso, muitos alunos com esse problema se prejudicam nos estudos e muitos pais tentam buscar uma maneira de ajudar o filho em casa com as matérias escolares, por causa da escola

A princípio, é fato que a prescrição desnecessária de medicamentos contribuem para essa problemática. Nessa perspectiva, a filósofa Hannah Arendt concebeu o conceito de banalidade do mal para designar o sutil ato de conviver com o mal e praticá-lo sem perceber. Partindo desse pensamento, é notório o mesmo mal no que se refere a banalização de prescrição de psicofármacos na infância. Nesse sentido, vários médicos diagnosticam o paciente com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade sem antes mesmo saber o histórico do jovem ou por ele só ter hiperatividade, o que tornou o Brasil o segundo maior exportador de metilfenidato no mundo, segundo o IBGE. Assim, muitos se tornam dependentes dos remédios, que podem causar riscos psicológicos.

Infere-se portanto, que entre os causadores da banalização da prescrição de psicofármacos na infância estão, o sistema falho de ensino aliado com a prescrição desnecessária para o uso de medicamentos. Diante disso, é imperioso que o Ministério da Saúde promova seminários, por meio de palestras on-line em suas plataformas digitais, em parceria com o Ministério da Educação, sobre os efeitos desta patologia, além de campanhas para modificar o sistema de ensino incluindo uma nova maneira de ensinar para aqueles que sofrem com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Dessa maneira, essa ação poderá ser a “força” capaz de resolver essa patologia social no Brasil.