A banalização da prescrição de psicofármacos na infância

Enviada em 15/09/2021

Após a eclosão da segunda Revolução Científica e o fortalecimento da indústria farmacêutica, medicamentos tornaram-se reguladores da vida social. Porém, este fato gerou graves consequências, como a banalização da prescrição de psicofármacos na infância. Indubitavelmente, essa condição foi gerada pela má formação médica dos psiquiatras e pelo aumento exacerbado dos casos de depressão entre crianças. Dito isso, é evidente que medidas asssertivas são necessárias para a reversão de tal cenário.

Em primeira análise, destaca-se o crescimento de clínicas psiquiatras regidas sob à tutela do Estado brasileiro. Segundo dados da folha de São Paulo (2020), mais de um terço das cidades do país possuem algum centro de tratamento psicológico. Vale salientar que esse número triplicou nas últimas décadas. Certamente, essa expansão desordenada gerou uma demanda por novos médicos que, impulsionados por motivações meramente econômicas, escolheram a psiquiatria como especialização. Isto posto, consoante informações do Conselho Nacional de Medicina, levou a formação destes trabalhadores a atingir o seu apogeu histórico no último triênio. Sendo assim, o abastecimento do mercado foi atingido, contudo a queda da qualidade do atendimento à população foi notória e provocou complicações consideráveis, como a receita exagerada de drogas psicoativas.

Em segunda análise, ressalta-se o contínuo aumento dos casos de depressão infantil no Brasil. Conforme pesquisa da Universidade de São Paulo, meio milhão de crianças brasileiras se sentem desamparadas e isoladas, favorecendo o desenvolvimento de distúrbios psiquiátricos. Analogamente a esse ponto, vem à tona o pensamento do filósofo canadense Jordan Peterson: “A mente de uma criança expõe os benefícios e malefícios do seu entorno”. Seguramente, a sociedade brasileira não cumpre com o seu dever de estabelecer um lugar próspero às mentes infantis, posto que os problemas psicóticos entre esse grupo, nos dias que correm, atormentam de forma incisiva o tecido social e acabam por aumentar o consumo de remédios psiquícos pelos pequenos.

Destarte, é mister a resolução de tal problemática, Para tal, o Ministério da Sáude, por meio de verbas federais, deve regular a formação dos residentes em psiquiatria, atentando-os à respeito das novas condições psicológicas dos jovens do país, visando melhorar a qualidade do seu serviço e extinguir com o uso desenfreado de psicofármacos por esta faixa etária. Sendo assim,  os casos de depressão decaírão e o país se tornará um ambiente seguro à comunidade infantil.