A banalização da prescrição de psicofármacos na infância

Enviada em 20/09/2021

Decerto, sabe-se que a Revolução Técnica-Científica-Informacional trouxe o aprimoramente da medicina, possibilitando o desenvolvimento de medicamentos cada vez mais potentes. Dessa forma, os medicamentos psicofármacos surgiram como forma de tratar doenças neurológicas e alterar a percepção dos pacientes. Todavia, no cenário hodierno, observa-se a exorbitante aplicação desses remédios em crianças com o intuito de combater determinados comportamentos que, muitas vezes, são confundidos com patologias, acarretando em consequências, tais como a dependência química e um tratamento errôneo. Destarte, é inexorável a análise dessa conjuntura com o objetivo de romper com a banalização da prescrição de fármacos na infância.

Primeiramente, cabe elencar que o constante consumo prematuro de medicamentos gera a habituação do corpo a esses remédios e a dependência química. Sob essa óptica, ao analisar o Estatuto da Criança e do Adolescente, o qual preza pelo bem-estar do infante, é possível concluir que a prescrição de psicofármacos para algumas crianças não condiz com o defendido pela legislação, uma vez que diversos pais medicam seus filhos com comportamentos hiperativos, sendo que, não era necessário e acabam criando um vício nessas medicações. Sendo assim, é imperioso que os pais tenham consciência das consequências da medicalização dos jovens.

Outrossim, convém destacar que, em alguns casos, o tratamento por medicação pode não ser o mais eficaz e correto, porquanto existem métodos alternativos para tratar comportamentos de desatenção e hiperatividade. Logo, ao observar o pensamento do filósofo grego Aristóteles, o qual defendia que a política devia visar o equilíbrio social, é possível inferir que, em vez da esfera governamental questionar-se o por quê das crianças sofrerem com esses comportamentos e mudar o modo de lecionar, ela incentiva culpar a criança e utilizar os psicofármacos. Desse modo, é imprescindível a alteração desse quadro.

Urge, portanto, medidas que possam mitigar a banalização da prescrição de fármacos na infãncia e suas consequências. Para tanto, é incumbência do Ministério da Saúde conscientizar a população acerca dos efeitos da medicalização das crianças e incentivar que os pais busquem ajuda profissional para identificar se o infante realmente possui alguma enfermidade psíquica, por meio de propagandas televisionadas, a fim de diminuir a utilização desnecessária de medicamentos. Ademais, é crucial que o Ministério da Educação melhore a qualidade do ensino, por intermédio de aulas dinâmicas e visando o individualismo, com o intuito de incluir as crianças que distraem-se facilmente e que são constantemente taxadas como enfermas.