A banalização da prescrição de psicofármacos na infância
Enviada em 23/09/2021
De acordo com estudos globais, casais estão tendo menos filhos, variando de um para dois em alguns países do ocidente, cada vez mais envolvidos em trabalho e inseridos no contexto capitalista mundial. A questão moderna do excessivo uso de psicofármacos em crianças tem crescido exponencialmente devido a esse imediatismo cotidiano em que os pais vivem, cada vez mais impacientes, cansados de extensas rotinas de trabalho e distantes de seus filhos. Nessa óptica, a exaustão da paternidade e os celulares tornando-se um novo brinquedo para a nova geração, a banalização de remédios psicotrópicos pode ter diversas consequências.
Nessa análise, o ser humano está cada vez mais inserido no mundo em que vive, experimentando a consciência de “aldeia global”. Visto isso, são hiper-estimulados a produzirem e manterem-se constantemente criativos para o mercado de trabalho, o que pode levar a exaustão física e mental. Devido ao cansaço, pais que chegam tarde de seus expedientes não possuem energia e nem disposição para ouvir ou interagir com seus filhos, tornando as relações domésticas cada vez mais distantes. A intensa necessidade de controlar o tempo e a vida tem tornado adultos do século XXI impacientes, nenhum pouco predispostos para os desafios da criação, por isso optam o uso de psicotrópicos para “acalmar” (e controlar) seus filhos, mesmo esses não possuindo distúrbio algum. Devido à banalização de transtornos comportamentais e de aprendizagem, os pais preferem o uso de medicamentos a um acompanhamento psicológico adequado, o que pode causar dependência química em crianças.
Outrossim, devido a relações cada vez mais alheias entre pais e filhos, o celular tornou-se um objeto de recreação para ambos. Segundo o filósofo Bauman, o ser humano hodierno está cada vez mais vislumbrado com o gozo e artificialidade do agora com o advento da tecnologia de redes, quase incapaz de conviver adequadamente em sociedade. Com o estímulo da introspecção fomentada pela pandemia da Covid-19, as crianças, principalmente filhos únicos, desenvolvem um despreparo em relação a interações sociais, e os pais, por meio de achismos e sem aconselhamento profissional, entendem como distúrbios psíquicos. É importante que haja mais de uma opinião médica para o diagnóstico.
Em síntese, cabe às mídias sociais, atrelada aos Ministérios da Educação ao redor do mundo, o estudo e a denúncia do excessivo uso de remédios de cunho psicológico em crianças para convenho e despreparo criacional familiar, orientando por meio de redes sociais e palestras em âmbito escolar os cuidadores as maneiras corretas de tratamento e menos viáveis ao vício em fármacos precocemente. Ademais, é importante que os pais estimulem seus filhos a conhecer outras crianças, deixando o mundo virtual de lado e preparando-se, de forma saudável e equilibrada, para a vida adulta.