A banalização da prescrição de psicofármacos na infância

Enviada em 30/09/2021

Xeque mate

A série “O Gambito da Rainha”, ganhadora de dois prêmios no Globo de Ouro, conta a história de uma jovem órfã que tinha o sonho de ser enxadrista e, que, acompanhada da dependência de ansiolíticos que tomava desde a infância, conseguiu vencer - com dificuldades - grandes torneios de xadrez e ficar famosa. Analogamente, no Brasil é evidente a banalização da prescrição de psicofármacos na infância não só devido à negligência familiar, mas também pelo incentivo da avarenta indústria farmacêutica.

Em primeiro plano, destaca-se a negligência familiar relacionada a psicofármacos na infância. Nesse sentido, substancial parcela dos responsáveis subestimam o tratamento adequado com o psicólogo, seja por preconceito, seja pelo atarefamento do cotidiano, optando por intervir com o uso medicamentos, que nem sempre são necessários. A esse respeito, a automedicação de crianças fere o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) uma vez que pode causar dependência e patologias futuramente. Desse modo, é notório que tal postura deve ser combatida de modo a mitigar tais efeitos indesejáveis e perigosos.

Em segundo plano, é evidente a mobilização da indústria farmacêutica em função do lucro. Acerca desse cenário, o fácil acesso aos psicofármacos, contribui efetivamente para que sejam utilizados indevidamente. De fato, segundo o jornal Correio do Estado,  no ano de 2019 mais de 80% da população conseguiu comprar remédios sem receita. Sob esse viés, segundo o filósofo Karl Marx, no mundo capitalizado, as empresas optam pelo engrandecimento do setor econômico, mesmo que passe pela saúde e a vida. Dessa maneira, a triste realidade encontra apoio em parcelas poderosas da sociedade, tornando difícil a reversabilidade do fato.

Torna-se evidente, portanto, que medidas tornam-se necessárias a fim de mitigar a banalização da prescrição de psicofármacos a crianças, conscientizando adultos e barrando a indústria farmacêutica. Neesse contexto, o Ministério da Saúde, juntamente com o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, deve transmitir propagandas, nas redes televisas em horário nobre, nos jornais e rádios de todo o país, um bloco destinado a orientar os pais sobre os perigos da automedicação e suas consequências. Além disso, tal campanha deve trazer relatos reais, com proteção anônima à vítima, a fim de combater tal atitude. Destarte, urge melhoria na fiscalização da indústria farmacêutica de modo a combater a compra da remédios sem receita. Sendo assim, a saúde das crianças não terá um xeque mate.