A banalização da prescrição de psicofármacos na infância

Enviada em 30/09/2021

A Revolução Técnico-Científica e Informacional do séc. XXI trouxe uma grande aceleração na assimilação de conhecimento que um indivíduo abarca em uma vida. Nesse sentido, as crianças da “Geração Z” foram as mais antigidas, uma vez que, ao nascerem, os meios tecnológicos já estavam inseridos na cultura. Por isso, com o crescimento de impulsos estimulantes, a ansiedade e a preparação-se cada vez mais importantes entre os infantes. Entretanto, a solução para esse impasse veio, também, de forma imediatista, sendo banalizada e reduzida ao uso de psicofármacos. Assim, é urgente analisar as origens desse problema, haja vista a falta de compreensão da infância em um mundo contemporâneo e uma pedagogia simplista que restringe o ser humano subjetivo.

Em primeiro lugar, com essa mudança na forma de conceber informações, muitos problemas surgiram, e, por consequência, novas soluções antes desconhecidas também. Por isso, a forma de abarcar o meio juvenil, tão envolto pela tecnologia, toma novas perspectivas de análises pedagógicas e sociais, visto que o contexto mundial mudou. Assim, quando uma criança, por exemplo, não consegue concentrar-se no colégio, é importante estudar as variáveis ​​que abarcam o seu cotidiano, como: os estímulos recebidos diariamente de telas, a duração dessas, etc. Isso deve ser feito pelo motivo de que a OMS afirma que a superexposição aos elementos eletrônicos digitais podem causar dispersão e ansiedade. Nesse contexto, a ausência de ponderação da conjuntura inteira e a não atenção à soluções terapêuticas antes de ministrar algum medicamento causam a redução do impasse à utilização pueril de psicofármacos que apenas mascaram os sintomas.

Em segundo lugar, a distração estudantil - justificativa muito utilizada na prescrição de remédios às crianças - pode ser fruto da ineficaz abordagem pedagógica, que não abarca o ser humano e suas espertezas, mas somente dentro do âmbito lógico-matemático. Em relação a isso, o professor Gardner de Harvard afirma, em sua teoria das 7 inteligências, que o aluno é subjetivo demais para ser posto no sistema tradicional. Assim, essa restrição imposta à criança ocasiona diversos diagnósticos comportamentais errôneos, sendo, frequentemente, restrigida ao TDAH sem análises profundas. Por isso, fármacos fortes e viciantes são administrados de forma vulgar, anestesiando a energia da criança.       Infere-se, portanto, a necessidade de resolução ao supracitado. Nesse sentido, a OMS, autoridade na área da saúde, deve investir em pesquisas sociológicas que englobem a realidade infantil em um mundo digital. Isso deve ser feito por meio de uma parceria com o setor da Educação da ONU, focalizando, também, em refomas pedagógicas que contemplem o ser humano inteiro com suas 7 inteligências. Assim, a taxa de prescrição de psicofármacos irá diminuir e sua banalização findará.