A banalização da prescrição de psicofármacos na infância

Enviada em 06/10/2021

Na obra literária Fahrenheit 450, é retratada uma sociedade em que os cidadãos são acostumados a não desenvolver criticidade ,e com isso, consomem altas doses de psicofármacos para lidar com seus problemas.Uma obra tanto ficcional quanto real no cenário brasileiro,em que observa-se a banalização da prescrição de psicofármacos na infância.Isso decorre, sobretudo,devido à lacuna informacional e a mentalidade imediatista vigente.

A princípio,vale destacar a escassez de informação como notória causa da trivialização da indicação de psicofármacos na infância.Nesse sentido, parafraseando Kant, é no problema da educação que se encontra o aperfeiçoamento da humanidade.Fica perceptível,com tal apontamento,que a falta de educação sobre os psicofármacos prescritos frequentemente nas primeiras idades ressoa na adoção dessa tendência de maneira imprudente pelos pais.Com efeito,tais medicações poderiam ser evitadas dado que muitos dos diagnósticos de transtornos mentais em crianças são voláteis,isto é,podem apresentar melhoras com o crescimento, ou soluções menos invasivas, como as terapias.Assim,faz-se ímpar o combate a essa prática leiga de pais e responsáveis brasileiros.

Outrossim,cabe ressaltar a mentalidade imediatista como motora da chaga social supracitada.Nessa perspectiva,o sociólogo contemporâneo Byung Chul Han adverte que as sociedades atuais são patológicas em buscar sempre ideais de produtividade o que sucede em doenças psicológicas.De fato,tal teoria é cristalina nos diagnósticos e medicações excessivas para hiperatividade em crianças,o que reflete o comportamento perfeccionista e produtivo sendo imposto nestas,que na verdade vivenciam a inquietude natural da idade.Posto isso, deve-se salientar sobre estabelecimento de dependência de psicofármacos nessas gerações.

Torna-se evidente,portanto,que a lacuna de informação e a mentalidade imediatista vigente impulsionam a prescrição banal de psicofármacos na infância.Assim,cabe a Secretária Especial da Cultura,a criação de campanhas informativas por meio de propagandas – as quais incluam depoimentos de psicólogos sobre suas consequências de dependência e desinformação sobre outros métodos – com o fito de preservar a saúde da infanto juventude.