A banalização da prescrição de psicofármacos na infância
Enviada em 12/10/2021
No livro “Ansiedade”, o médico psiquiatra Augusto Cury discorre sobre a condição denominada “Síndrome do Pensamento Acelerado”, a qual se fundamenta em aspectos comportamentais decorrentes do excesso de informação - decorrente do “boom” digital da virada do século - no qual grande parte das crianças e adolescentes estão expostos. Porém, essa raíz comportamental e ambiental não é levada em conta no diagnóstico da maioria dos transtornos mentais em crianças, e os fármacos são utilizados como a primeira opção de tratamento, o que é um problema, pois deveriam ser a última, e a causa disso é o viés capitalista adotado pela indústria farmacêutica.
Nesse sentido, é importante destacar que os medicamentos devem ser a útlima opção de tratamento para transtornos mentais, pois os mesmos nem sempre são necessários, e assim como quaisquer outras drogas, causam dependência. De maneira análoga, surgiu no século XX um movimento denominado “Antipsiquiatria” - defendido inclusive pelo filósofo Michael Foucault -, o qual questiona as práticas da psiquiatria, incluindo o uso discriminado na prescrição de psicofármacos.
Somado a isso, tem-se como causa o viés capitalista adotado pela indústria farmacêutica, que sobrepõe a sua busca pelo lucro perante o bem estar dos pacientes psiquiátricos. Este fato contradiz as ideias do economista liberal Adam Smith, o qual dizia que ao buscarem o lucro, os capitalistas seriam guiados por uma “Mão Invisível” que promoveria o bem estar da sociedade através dos seus produtos. Assim, no que diz respeito à prescrição indevida de fármacos, o movimento da “Antipsiquiatria” passa a fazer sentido, e nutre a necessidade por mudanças.
Portanto, para limitar a indústria farmacêutica e diminuir o acesso aos fármacos nos casos em que não há necessidade, é necessário que a OMS, como autoridade internacional em saúde, tome providências. Entre elas, criar um sistema criterioso de diagnóstico dos transtornos mentais e cognitivos, por meio de regulamentações internacionais. Deste modo, medidas mais coerentes de tratamento serão adotadas, levando em conta os aspectos comportamentais, como orienta o Dr. Augusto Cury.