A banalização da prescrição de psicofármacos na infância
Enviada em 18/10/2021
Na sociedade distópica de Abominável Mundo Novo de Aldous Huxley, se tornou habitual o uso de medicamentos para inibir certos pensamentos e sentimentos, ademais, os indivíduos que se recusam a ingeri-los são excluídos da sociedade e vistos como selvagens. De maneira análoga, a sociedade moderna procura maneiras de mudar características intrínsecas de crianças através do uso de fármacos. Dessa forma, em virtude da modernização e da patologização da infância a banalização da prescrição de psicofármacos na infância vem se tornando cada vez mais comum.
Convém ressaltar, a princípio, que a modernização é um fator determinante para a persistência da problemática no Brasil. Devido as mudanças sociais ocorridas durante a Segunda Guerra Mundial e a popularização de movimentos feministas, a maioria das mulheres deixou de se restringir as tarefas domésticas para entrar no mundo do trabalho. Hodiernamente, essas mudanças acabaram por ocasionar uma mudança na mentalidade da população, muitas vezes não há tempo para lidar com uma criança mais agitada e a medicação é vista como uma saída facilitada.
Outro ponto relevante, nessa temática é a patologização da infância. Nessa perspectiva o caso de Sabina Spielrein vem a luz, internada em uma clínica psiquiátrica aos 17 anos, a jovem não apresentava doenças psicológicas, mas sim, comportamentos normais de adolescente. De maneira semelhante, se tornou trivial a observação de comportamentos infantis sob a ótica da medicina, acabando por silenciar indivíduos em formação por intermédio de psicofármacos, ao invés de procurar entendê-los em sua complexidade psicológica.
Logo, é imprescindível que o Ministério da Saúde e o da Educação trabalhem em conjunto com psicólogos para oferecer terapia gratuitamente nas escolas. Por meio de campanhas nas mídias sociais o serviço deveria ser amplamente divulgado para a população. Desse modo, as crianças teriam um ambiente seguro para se comunicar e aprender sobre o que estão sentindo, sabendo se integrar melhor na sociedade, diminuindo a necessidades de psicofármacos e fazendo com que casos como o de Sabina se tornem menos recorrentes.