A banalização da prescrição de psicofármacos na infância

Enviada em 07/11/2021

O uso ostensivo de psicofármacos em crianças tem crescido preocupantemente nos últimos anos. Segundo o Ministério da Saúde, 15% das crianças no país já fizeram uso de algum psicofármaco. Esse quadro tem consequências enormes para a saúde pública e suas raízes na própria ideologia da medicina no país.

Nesse sentido, esse fenômeno é um sintoma, segundo Michel Foucault, do saber-poder medicalizado. Isto é, a medicina,nesse quesito, adota uma postura industrial, disciplinadora, desumanizante, tomando assim medidas clínicas visando a eficiência e não a cura mais humanizada e justa. Assim, a medicina em busca da eficiência característica do capitalismo tardio idolatra os psicofármacos e os adota sempre que pode.              À vista disso, as consequências são enormes. Segundo Franco Basaglia, psiquiatra italiano, a psiquiatria química, sendo adotada como método clínico principal em crianças, acaba por marginalizar qualquer outro método clínico relativo à saúde mental. Assim, a própria saúde das crianças fica em risco, uma vez que a dimensão cultural, psicológica e orgânica da sua mente é desrespeitada em detrimento da parte fisiológica, causando nas crianças sequelas irremediáveis.

Assim sendo, torna-se evidente a dimensão prejudicial da ostensiva psicofarmacologia da saúde mental infantil e a necessidade de mudança. Logo, o Estado deve, por meio de uma mudança no programa de psiquiatria nacional, programa esse que deve abranger outros métodos clínicos mais universais, reduzir o uso de psicofármacos na infância, a fim de garantir uma melhor saúde mental para as crianças do Brasil.