A banalização da prescrição de psicofármacos na infância
Enviada em 11/11/2021
Na série “O Gambito da Rainha” acompanha-se a trajetória da protagonista que torna-se dependente de calmantes que são distribuídos no orfanato em que ela reside para “acalmar” as crianças.Nesse contexto é possível refletir acercada banalização da prescrição de psicofármacos na infância.Assim,pode-se relacionar dois aspectos pertinentes ao tema:a estrutura do ensino escolar que não acompanha a mudança no perfil dos alunos e a tentativa de padronizar o comportamento infantil na sociedade.
A priori,salienta-se que a conselheira do Conselho Federal de Psicologia,o qual iniciou a campanha nacional “Não à medicalização da vida”,Marilene Proença,considera importante recorrer a outros meios,como a terapia ,antes de medicalizar uma criança.Essa postura,decorre do fato de que muitos alunos não conseguem se adequar a vida escolar porque a estrutura do ensino é antiga e não acompanha,por exemplo,a tecnolgia presente em maior parte da vida das pessoas diariamente.A consequência disso,é que ao invés de dialogar para entender e acolher a criança,opta-se pelo uso de medicamento,o qual apenas age de forma mais rápida e não identifica a origem do comportamento infantil.
Em segunda análise,destaca-se a pesquisa realizada pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro,a qual mostrou um aumento de mais de 800%,em um período de 9 anos,do consumo de Ritalina - nome comercial do medicamento usado no tratamento de déficit de atenção (TDAH).Esse resultado pode estar ligado à tentativa de padronizar o comportamento infantil,uma vez que,tal substância afeta a percepção do paciente,podendo interferir,até mesmo,na construção da sua personalidade.Além disso,ao não se investigar o porquê de um comportamento mais agitado,ou até violento,pode-se não perceber alguma violência sofrida,a qual pode desencadear episódios de descontrole como reação.
Em suma,levando-se em consideração os argumentos supracitados,para se combater a a banalização da prescrição de psicofármacos na infância é preciso que o Ministério da Saúde use as verbas públicas para promover campanhas elucidativas,por meio de comerciais nas principais mídias e palestras nas escolas,a fim de alertar pais e professores sobre os riscos do uso de uma medicação sem um diagnóstico completo de uma equipe multiprofissional.Tudo isso,terá efeito sobre as crianças que poderão receber um tratamento adequado com respeito às suas individualidades e apoio dos adultos ao redor.Dessa forma,o uso de calmantes para crianças será normalizado apenas na ficção.