A banalização da prescrição de psicofármacos na infância
Enviada em 11/11/2021
O romance filosófico “Utopia” - escrito por Thomas More - retrata uma civilização perfeita e idealizada, na qual a engrenagem social é isenta de conflitos e problemas. Tal obra fictícia mostra-se distante da realidade, uma vez que, no Brasil, há empecilhos quanto a banalização da prescrição de psicofármacos na infância. Essa problemática decorre e persiste devido a dois principais fatores: a omissão estatal e o controle social.
Nesse contexto, é primordial destacar a ineficácia do Poder Público no que concerne a garantia do bem estar da criança e do adolescente - previsto no artigo 227 da Constituição Federal. Essa falha em assegurar tal direito está intimamente ligada a fatores econômicos, tendo em vista que, segundo o sóciologo Karl Max, os padrões de produção determinam os de consumo. Por conseguinte, a ampliação da produção de psicotrópicos aumentou substancialmente sua prescrição pediátrica, o que evidencia a ineficiência da máquina administrativa na resolução desse impasse.
Outrossim, o controle institucionalizado do comportamento humano apresenta-se como outro desafio. Nesse sentido, o excesso de diagnósticos relacionados ao hiperativismo é fruto de uma sociedade que pouco oferece assistência afetiva as crianças e recorre a diversos artifícios para melhorar sua conduta. Sob ese viés, embora o renomado médico Paracelso adverta que a diferença entre o remédio e o veneno é a dose, o seu uso indiscriminado na infância mostra uma negligência não só dos profissionais da saúde que os receita, mas também das famílias.
Diante do exposto, é imprescindível a minimização dessa problemática. Para mitigar o uso de medicamentos por parte dos pequenos, urge a mobilização das Prefeituras Municipais, que, por meio de parcerias com a mídia local, devem criar campanhas de conscientização da população a respeito dos malefícios provocados pelo abuso de fármacos. Além disso, devem ofertar tratamentos alternativos com acumputura, óleos essenciais e terapia para essa faixa etária. Como efeito, a sociedade se aproximará da “Utopia” proposta por Morus".