A banalização da prescrição de psicofármacos na infância

Enviada em 17/11/2021

De acordo com os dados expostos pelo Ministério da Saúde, o Brasil ocupa a posição de segundo maior consumidor de Ritalina - utilizada para o tratamento de hiperatividade - do mundo, sendo o público infantil o principal usuário do psiquiátrico. Sob esse viés, a banalização da prescrição de psicofármacos na infância ocorre não só pelo diagnóstico equivocado, mas também devido à busca por soluções fáceis e práticas para possíveis comportamentos relacionados à transtornos mentais.

Diante desse cenário, observa-se que a diagnose precoce e errônea apresenta fatores de risco para as crianças e potencializa o entrave. Consoante a filósofa alemã Hannah Arendt com o conceito “Banalidade do Mal”, o resultado da massificação da sociedade formou indivíduos incapazes de realizarem julgamentos morais, tornando-se alucinados e aceitando situações sem questionar. De forma análoga, no Brasil hodierno, diversos pais e responsáveis concordam em utilizar tratamentos medicatosos para tratar prováveis casos de hiperatividade, pois é algo normalizado no corpo social. Consequentemente, o abuso de remédios que atuam no funcionamento cerebral pode acarretar consequências graves para os infantos, como a dependência física e emocional e as dificuldades no relacionamento interpessoal - que é crucial para o desenvolvimento na infância. Logo, é necessário medidas do Estado para reverter tal problemática.

Outrossim, a busca por soluções práticas e fáceis é um imbróglio a ser resolvido. No filme “It, a coisa”, um dos protagonistas utiliza medicamentos de forma constante e exacerbada, pois é influenciado pela sua mãe hipocondríaca a se prevenir de possíveis doenças. Nesse sentido, o uso de substâncias psicofármacas para evitar ou tratar problemas de comportamentos e de aprendizagem pode provocar efeitos secundários sérios, tais como sintomas psicóticos ou maníacos e atitudes agressivas. Dessa forma, buscar as causas para tratar certas atitudes é mais eficaz porque há diversos tramentos alternativos que não necessitam da intervenção de psicotrópicos.

Infere-se, portanto, medidas capazes de mitigar a banalização da prescrição de psicofármacos na infância. Assim sendo, o Governo Federal, como instância máxima de administração executiva, por meio do Ministério da Saúde, deve investir em campanhas que visam orientar as consequências da medicação precoce e errônea, além de promover práticas alternativas, como a psicoterapia gratuita em postos de sáude e nas escolas, com o fito de evitar maiores problemas para as crianças e suas famílias, como também proporcionar uma infância benéfica e saudável para o desenvolvimento sociocognitivo. Com essas ações, o Brasil deixará de ocupar a lamentável posição de segundo maior consumidor de Ritalina do mundo.