A banalização da prescrição de psicofármacos na infância

Enviada em 25/02/2022

De acordo com a psicóloga Roseli Caldas, a medicalização é como um mascaramnto de questões sociais, uma vez que atribuir doenças a indivíduos nos exime de buscar nas relações sociais, econômicas e políticas as causas e soluções para os problemas da sociedade. Isso reflete na banalização da prescrição de psicofármacos na infância, ao ser visto como o caminho mais fácil para solucionar problemas psicológicos. Essa visão negativa pode ser significativamente minimizada, desde que acompanhada da desconstrução esteriotipada da sociedade, junto à mudança na metodologia de ensino das instituições de educação básica.

Em primeira análise, é evidente a atribuição do diagnóstico de transtorno mental para aqueles que agem de forma incomum, não levando-se em conta a própria natureza do indivíduo. Recentemente, o Conselho Federal de Psicologia publicou uma campanha abordando o seguinte slogan: " Se você acha que seu filho está muito arteiro, fique calmo. Ele está apenas sendo criança, não tem TDAH". Sob essa ótica, observa-se os esteriótipos construídos na sociedade ao longo do tempo, os quais implicam diretamente no uso precipitado de medicamentos para tratar doenças muitas vezes inexistentes em crianças. Desse modo, com essa concepção instituída, o infante nunca deixará de ser vítima desse ceenário.

Além disso, uma instituição educacional que adota o ensino tradicional - aquele que passa as informações da mesma forma para todos os alunos- não atende as necessidades individuais, fortalecendo, por exemplo, a idéia de que aqueles dotados de dificuldades no que tange à aprendizagem , sejam portadores do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Seguindo essa linha de pensamento, segundo a UOL, o Brasil é o 57° do mundo em ranking de educação, e mesmo assim são taxados como “culpados” pela falta de atenção, os infantes.

Depreende-se, portanto, a relevância da desbanalização da prescrição de psicofármacos para o público infantil. Para que isso ocorra, é necessário que o Ministério da Educação promova alterações na metodologia de ensino das escolas