A banalização da prescrição de psicofármacos na infância

Enviada em 07/11/2022

Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange à questão da banalização de psicofármacos na infãncia. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da falta de informações acerca dos perigos do uso indevido de psicofármacos na infância e da falta de representividade científica.

É indubitável, nesse contexto, que a questão da falta de informação esteja entre as causas do problema. Para Kant, o ser humano é resultado da educação que teve. De acordo com essa perspectiva, se há um problema social, há como base uma lacuna educacional. No que tange a banalização da prescrição de psicofármacos na infância, percebe-se forte influnência dessa causa, uma vez que a escola não tem cumprido seu papel no sentido de reverter o problema, pois não está trazendo às salas de aula conteúdos que foquem na resolução da questão.

Além disso, cabe ressaltar que a falta de representividade científica é um forte empecilho para a resolução do problema. De acordo com o antropólogo Mantegazza, “A ciência é o melhor instrumento para medir a nossa ignorância”. Como demonstra essa perspectiva, a pesquisa científica é essencial para diagnosticar problemas e chegar em seus detalhes, como é o caso da banalização de psicofármacos na infância. Assim,como não há boa base de investimentos em ciência, no que se refere a esse problema, dificulta-se sua erradicação.

É evidente, pontanto, que tais entraves precisam ser solucionados. Para isso, o MEC, em parceria com as universidades, deve criar iniciativas que deem visibilidade à comunidade científica, bem como a projetos relacionados a banalização de psicofármacos na infância. Isso se dará por meio de visitas a escolas e com a divulgação de videos nas redes sociais sobre projetos de pesquisa que apontem os perigos relacionados ao uso inadequado de psicofármacos em crianças, a fim de que a população em geral conheça a realidade da pesquisa no Brasil. Desta forma, o Brasil poderá superar a banalização da prescrição de psicofármacos na infância.