A banalização da prescrição de psicofármacos na infância
Enviada em 08/03/2022
A primeira Lei de Newton, a lei da Inércia, enfatiza que um corpo que está em movimento, tende a permanecer em movimento, até que uma força contrária seja exercida sobre esse corpo. De maneira análoga a isso, torna-se imprescindível “forças contrárias” diante da banalização da prescrição de psicofármacos na infância, esse problema persiste devido a busca de informações médicas em sites da internet, levando a desaceleração do desenvolvimento crítico das crianças.
Primeiramente, é indubitável que com a ampla rede de informações presententes nas tecnologias, pais utilizam esses meios para procurar respostas sobre alguns comportamentos de seus filhos, e tomam como verdade absoluta oque encontram em alguns “sites” que a partir de sintomas exporádicos, obtem-se diagnósticos superficiais, sem qualquer auxílio profissional. Segundo Buckminster Fuller, filósofo norte-americano, " a humanidade adiquiriu todas as tecnologias certas por razões erradas". Sob essa ótica, observa-se um movimento crescente, pais que utilizam psicofármacos são usados para conter certas atitudes de seus filhos, diante desses diagnósticos obtidos na internet. Logo, tecnologias usadas para esses fins são de extremo perigo, pois a ingestão de medicamentos incorretos podem desenvolver uma série de problemas de saúde.
Ademais, psicofármacos utilizados sem devida necessidade poderão interferir no desenvolvimento intelectual das crianças. De acordo com a psicóloga Fabíola Jacomini, o uso desnecessário de psicofármacos causa diversos prejúizos, entre eles se destaca o silenciamento da criança, pois esses medicamentos inibem a capacidade da criança refletir sobre alguns acontecimentos. Diante disso, vê-se uma falha no sistema de saúde público, por não alertar a população sobre as consquências dessa medicalização. Assim, muitas crianças se reduzem a apenas um rótulo muitas vezes inexistente, contribuindo para a permanência desse problema.
Portanto, faz-se necessário que medidas sejam implementadas para conter a banalização da prescrição de psicofármacos para crianças. Por conseguinte, cabe ao Minstério da Saúde, juntamente com todas as redes de fármácia, proibir a venda de psicofármacos sem receita médica para que seu uso desnecessário não seja feito. Além disso, que a mídia possa divulgar à sociedade sobre as consequências do uso indevido de fármacos a fim de que todos estejam conscientes sobre a gravidade desse problema, e que os pais possam ser orientados a procurarem profissionais que respondam seus questionamentos de forma correta. E somente assim, com a aplicação dessas “forças contrárias” esse problema não persistirá na sociedade, e as crianças poderão desenvolver-se de forma sustentável e natural.