A banalização da prescrição de psicofármacos na infância

Enviada em 13/03/2022

Antigamente, as crianças eram consideradas agitadas por seu comportamento travesso e ansioso. Atualmente, a questão comportamental é classificada como hiperatividade. Entretanto, por conta da generalização do termo, crianças saudáveis estão sendo tratadas com medicamentos sem apresentarem os sintomas da doença. Nesse contexto, observa-se um problema que tem como causas a priorização de interesses financeiros e a omissão governamental.

Dessa forma, em primeira análise, a lógica capitalista é um desafio presente no problema. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, “Os valores da sociedade estão colonizados pela lógica de mercado”. De fato, a crítica de Bauman é verificada na questão, visto que existem profissionais da saúde que trabalham de forma irregular, prescrevendo medicamentos sem avaliar o quadro de saúde do paciente. Logo, diante dessa banalização, tem-se o aumento do número de dependentes físicos e psicológicos desnecessariamente.

Em paralelo, a falta de legislação é um entrave que tange ao problema. Segundo a pesquisa feita pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), o Brasil é o segundo maior consumidor de metilfenidato - usado no tratamento de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Tal fato é promovido pela falta de conhecimento da sociedade, já que o transtorno não pode ser comprovado com exames laboratoriais e mais pessoas tomam o medicamento sem necessidade. Dessa maneira, o governo deveria fiscalizar mais hospitais e clínicas para evitar o uso de medicamentos de forma descontrolada.

Portanto, é indispensável intervir sobre o problema. Logo, o Ministério da Saúde em parceria com estados e municípios, devem dificultar o acesso aos remédios psicofármacos através de um projeto de lei entregue à Câmara, em que só poderá partir para a intervenção medicamentosa se tratamentos alternativos, como terapia não derem resultado. Paralelamente, um projeto com profissionais da saúde deve ser feito com palestras educacionais, de modo que as famílias possam conhecer sobre os transtornos mentais e evitar que seus filhos se tornem dependentes químicos.