A banalização da prescrição de psicofármacos na infância
Enviada em 04/05/2022
No clipe da música “Another Brick in the wall”, da banda Pink Floyd, é representada a opressão sofrida por um aluno, que escreve poesia durante a aula, por parte de seu professor, que exige que adeque seu comportamento, tais quais as outras crianças, reprimindo sua criatividade e tornando-o apenas mais um tijolo no muro. Fora do clipe, a situação vivenciada no Brasil não é muito diferente, qualquer dificuldade no aprendizado ou comportamento minimamente diferente dos demais a criança já é taxada com algum distúrbio e tentam “normaliza-a” com medicamentos, ao invés de investigarem a causa real do problema.
Em primeira análise, vale ressaltar que o diagnóstico da maioria das enfermidades psiquiátricas não é realizado de forma objetiva utilizando exames laboratoriais, dependendo da análise qualitativa do médico, que pode conter erros. Segundo pesquisa realizada no Brasil, o percentual de crianças com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) pode oscilar de 0,9% a 26,8%, evidenciando a dificuldade no apontamento preciso do distúrbio e da prescrição desnecessária de fármacos para milhões de jovens.
Em segunda análise, a cultura de medicamentação excessiva, enraizada na sociedade brasileira, contribui para o agravamento dos números exorbitantes de prescrição de psicofármacos na infância, que se utilizados de forma indevida têm o potencial de aumentar as complicações no aprendizado e nas relações sociais, assim como causar dependência física e psicológica. Paralelamente, a estrutura de ensino estática e com poucos recursos para atender a diversidade de necessidades das crianças, que caso não se adequem ao método de ensino, pouco alterado nos últimos cem anos, logo são rotuladas doentes e medicamentadas.
Portanto, com o intuito de reduzir a prescrição indevida de psicofármacos no Brasil, sobretudo aos mais jovens, é essencial que o Ministério da Saúde crie, por meio de programas de conscientização, campanhas informativas dentro e fora das escolas, para alertar dos riscos que esse tipo de medicamento pode trazer, assim como orientar o correto procedimento a ser seguido, só assim será possível reduzir segura e efetivamente a utilização de tais remédios em território nacional.