A banalização da prescrição de psicofármacos na infância

Enviada em 09/06/2022

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de problemas. Contudo, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto que o autor prega, uma vez que a prescrição desordenada de medicamentos psiquiátricos é cada vez mais recorrente entre crianças. Dessa forma, o problema motivado pelo individualismo e pela má influência midiática promove mais um impasse entre os cidadãos no país.

A princípio, é incontestável que a má influência midiática está entre as causas da banalização da prescrição de psicofármacos na infância. No entanto, conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertida em mecanismo de opressão. Dessa forma, pode-se observar que, infelizmente, a mídia em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população, influencia na consolidação do problema ao induzir cada vez mais a utilização desses medicamentos, ao sempre retratar crianças com transtornos mentais fazendo o uso excessivo dos mesmos em novelas.

Outrossim, é imperativo destacar a falta de empatia como um dos fatores que validam a persistência da problemática. Nessa lógica, na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a sociedade atual é fortemente influenciada pelo individualismo. De fato, o pensamento do sociólogo reflete de maneira específica na realidade brasileira, já que a saúde mental do brasileiro é deixada de lado, pois a população está focada em seus próprios interesses, optando por soluções rápidas e esquecem de olhar com empatia para essas crianças. Logo, é inaceitável que as pessoas negligenciem essa parte da população com a prescrição desses medicamentos sendo que, existem diversos tipos de tratamentos tão eficientes quanto eles.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Governo juntamente com a mídia, por intermédio de propagandas informem as pessoas como a banalização da prescrição de psicotrópicos tem efeitos colaterais e podem agravar o problema com o tempo, a fim de mudar o pensamento da população sobre o uso excessivo desses medicamentos. Desse modo, a partir dessas ações, espera-se promover a construção de um Brasil melhor e a coletividade alcançará a Utopia de More.