A banalização da prescrição de psicofármacos na infância
Enviada em 17/06/2022
O escritor inglês Thomas More, em sua obra “Utopia”, retrata uma sociedade ideal na qual o corpo social é insento de conflitos e problemas. Entretanto, na realidade brasileira, a prescrição excessiva de psicofármacos na infância configura-se como um entrave para o pleno desenvolvimento infantil. Assim, é preciso analisar como o atual contexto socioeconômico e o imediatismo corroboram para o revés em questão.
Em primeira análise, o sistema capitalista catalisa a patologização da idadede pueril. Nessa perspectiva, o filósofo Zygmunt Bauman fundamenta que na realidade hipercapitalista, a busca frenética pelo dinheiro tornou os indivíduos incapazes de compreender o próximo. De maneira análoga, o cotidiano cada vez mais acelerado dos pais em detrimento das atividades laborais faz com que a compreensão acerca do que é ser uma criança saudável seja dificultada. Com isso, infantes, que naturalmente possuem mais energia, recebem diagnósticos errôneos de hiperatividade e passam a ser medicados indevidamente.
Outrossim, o imediatismo é outro fator que corrobora para a medicalização excessiva e nefasta dessa faixa etária. Nesse viés, o sociólogo Anthony Giddens infere que a sociedade negligencia cada vez mais ações que trazem benefícios a longo prazo. Sob essa óptica, tal pensamento é facilmente aplicado na banalização de medicamentos, uma vez que dar um comprimo para o filho é mais prático que buscar medidas alternativas para o controle da ansiedade, mas que demandam mais tempo para ter resultados. A partir disso, a espera para o término de uma sessão de terapia é visto como inviável em uma sociedade que tem como lema “tempo é dinheiro”.
Portanto, urge o a Mídia - esfera social que contribui para a construção de visão de mundo dos cidadãos- realize debates acerca da vulgarização desses psicotrópicos, por meio da participação de psicopedagogos e médicos que expliquem quando essas substâcias são realmente necessárias e a importâcia de buscar tratamentos alternativos. Dessa meneira, será possível a construção de uma sociedade mais consciente e semelhante a retratada no livro “Utopia”.