A banalização da prescrição de psicofármacos na infância

Enviada em 19/07/2022

Na série “Quem matou Sara?”, a filha da protagonista, Lúcia, é submetida a um excesso de medicalização e tratamentos psicóticos ainda na infância, sem a certeza de que a criança portasse alguma doença. No contexto nacional atual, crianças ainda sofrem com a prescrição banal e exagerada de remédios. Isso ocorre, pois faltam diagnósticos corretos e precisos sobre o assunto e, também, existe uma carência de instituições capacitadas para diagnosticar esse grupo.

Primeiramente, vale ressaltar que a ignorância é uma das principais causas do excesso de receitas de remédios para crianças. Sob essa ótica, na obra “A República”, do filósofo grego Platão, é narrado o “Mito da Caverna”, no qual, foi escrito sobre homens que vivem acorrentados em uma caverna, e veem apenas sombras na parede, acreditando que aquilo era a realidade da vida. De maneira semelhante, o ocorrido pode ser presenciado no corpo social brasileiro, visto que, muitas famílias não tem acesso a diagnósticos reais e precisos, vivem na escuridão, isto é, uma parcela significativa da população infantil verde-amarela, têm em suas rotinhas, remédios que atuam no sistema nervoso central, alterando a percepção, emoção e comportamento, e, com isso, tem a sua saúde mental e física afetados.

Ademais, a carência de instituições aptas formenta a banalização da prescrição de remédios na infância. Sob essa análise, é válido apresentar a resolução 177/2015, na qual, uma das explicações para o excesso de diagnósticos, como por exemplo o TDAH, é a redução de problemas comportamentais a patologias. Tendo isso em vista, é justo citar a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo Zygmunt Bauman, que tem por explicação, corporações presentes na sociedade, mas que, não cumprem seu papel com eficácia. Como consequência, muitas crianças, sobretudo aquelas de menor renda, não recebem o devido tratamento, e contribuem com a marginalização.

Portanto, faz-se imprescindível que o o Estado - principal responsável pelo bem-estar e qualidade de vida do corpo social - deve promover a qualificação das instituições e profissionais responsáveis, por intermédio de incentivos monetários para especializações sobre o tema, com o fato de amenizar o problema. Assim, histórias como a de Lúcia não serão uma realidade no Brasil.