A banalização da prescrição de psicofármacos na infância
Enviada em 26/10/2022
José Murilo de Carvalho - historiador brasileiro- afirma que o direito social consiste no exercício pleno de direitos básicos, a exemplo da saúde.Todavia, ao analisar o contexto atual vigente, nota-se uma divergência no que concerne à prescrição de psicofármacos na infância brasileira. Sob esse viés, é necessário compreender a melhor solução para promover uma maior discussão sobre o tema e combater a banalização da indicação do mesmo.
Diante desse cenário, é coerente apontar que a ausência do entendimento do problema permite que ele perpetue na sociedade, uma vez que, sem o seu conhecimento, fica penoso em discuti-lo. Florestan Fernandes, pesnsador brasileiro, explica que, para que os direitos civis sejam legítimos, é necessário que a sociedade tenha uma educação de qualidade. No entanto, doenças psicológicas são pouco abordadas e, consequentemente, os seus tratamentos também são. Assim, esse entrave implica em uma dificuldade de buscar outros métodos alternativos, recorrendo sempre a medicação, solução mais difundida na população.
Ademais, é notório salientar que o silenciamento dessa temática corrobora para que o impasse permaneça . Djamila Ribeiro aponta que é essencial tirar uma situação da invisibilidade para que soluções sejam promovidas. No entanto, há um silenciamento no uso desses medicamentos em abuso para as crianças, visto que, muitos podem trazer danos à saúde dessa parcela se não medicados corretamente. Somado a isso, tratamentos alternativos, como auxílio psicólogico, podem ser tão efetivos quanto a medicação, de forma, em alguns casos, não ser necessária. Assim, urge tirar na situação da invisibilidade para atuar sobre ela, como defende a pensadora.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para que o impasse seja mitigado. Dessa forma, é dever do Estado, em parceria com o Ministério da Saúde, conscientizar a sociedade sobre o abuso de psicofármacos na infância. Isso pode ser feito, por meio de campanhas que estimulem o debate do assunto nos postos de saúde do país, com intuito de garantir que um direito social, defendido por José Murilo de Carvalho, seja efetivo e finalmente visível no corpo social brasileiro.