A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 18/10/2025

Na obra O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, o protagonista mantém a juventude e a beleza intactas, enquanto seu retrato envelhece e reflete seus excessos. Fora da ficção, muitos buscam o mesmo ideal de perfeição, recorrendo ao bisturi como se fosse uma ferramenta de identidade. Nesse contexto, a banalização das cirurgias plásticas evidencia a influência dos padrões estéticos e o enfraquecimento da autoestima coletiva.

A cultura da aparência transformou o corpo em produto. Segundo Pierre Bourdieu, a sociedade valoriza o capital simbólico — aquilo que confere prestígio e aceitação social —, e, no mundo atual, a beleza física tornou-se uma dessas moedas. Clínicas estéticas florescem como vitrines de status, enquanto as redes sociais consolidam padrões inalcançáveis, reduzindo o corpo a objeto de consumo e não de identidade.

Além disso, conforme Gilles Lipovetsky, vivemos na era do vazio, marcada pelo culto à imagem e pelo narcisismo. A cirurgia plástica, antes voltada à reparação ou à saúde, passou a ser ritual de autoafirmação social, naturalizando riscos e criando a ilusão de que a felicidade pode ser comprada. O aumento de procedimentos mal-sucedidos e de distúrbios como a dismorfia corporal mostra que, na busca pela perfeição, muitos se afastam de si mesmos.

Portanto, o Ministério da Saúde, em parceria com a Anvisa e influenciadores digitais, deve promover campanhas educativas e regulamentar a publicidade de clínicas estéticas nas redes sociais, divulgando riscos e alternativas saudáveis, a fim de reduzir o consumo irresponsável de cirurgias e fortalecer a valorização da beleza real. Assim, o espelho poderia voltar a ser espaço de aceitação, e não de autonegação.