A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 15/10/2025
O programa de televisão “Botched: Desastres do bisturi” retrata em sua narrativa a história de milhares de pessoas que fizeram cirurgias plásticas e deram errado. Logo, os cirurgiões plásticos corrigem as deformidades causadas pelos procedimentos malsucedidos. Além do mais, é perceptível que no Brasil, assim como em todo o mundo, há a banalização das cirurgias plásticas. Sob este viés, é necessário analisar as principais causas desse quadro adverso: a influência midiática e a negligência governamental.
Diante esse cenário, é fato que o papel desempenhado pela mídia intensifica a normalização das cirurgias plásticas. Dessa forma, conforme os teóricos Theodor Adorno e Max Horkheimer, a indústria cultural promove a homogeneização das ideias e dos comportamentos ao padronizar produtos e ao reduzir o espaço para a criticidade. Sob esse prisma sociológico, observa-se que filmes e programas de grande alcance, ao associarem as cirurgias plásticas a um padrão de beleza irreal imposto pela sociedade, contribuem para a normalização dessas práticas, o que gera riscos à saúde física e mental, além de complicações médicas. Desse modo, enquanto tais representações forem tratadas como tendências inofensivas, será difícil impedir a banalização das cirurgias plásticas.
Ademais, é evidente a atuação negligente do poder público diante o consumo desenfreado dos procedimentos estéticos. Nesse contexto, a antropóloga Lilia Schwarcz aponta que o Brasil adota uma “política de eufemismos”, isto é, tende a suavizar grandes questões ao invés de enfrentá-las com ações concretas. Sob essa perspectiva, a crítica de Schwarcz se manifesta na maneira que o governo lida com a prática rotineira de procedimentos estéticos em clínicas nem sempre regularizadas, o que leva a graves deformidades no paciente.
Logo, é crucial combater a banalização das cirurgias plásticas. Isto posto, o Ministério da comunicação - responsável por desenvolver políticas de acesso à informação - deve fiscalizar as mídias digitais, por meio do monitoramento ativo e pela regulamentação, com o intuito de verificar questões de segurança e proteção aos usuários das redes sociais. Com essa medida, será possível, então, garantir um futuro com cidadãos mais conscientes e habilitados para o mundo digital.