A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 19/10/2025

No filme O Diabo Veste Prada, percebe-se como a busca pela beleza e pela aprovação social se torna essencial para o sucesso profissional. Essa trama reflete um problema real: a banalização das cirurgias plásticas. Cada vez mais, esses procedimentos deixam de ter função médica e passam a representar meios de adequação a padrões estéticos impostos pela mídia e pelas redes sociais, revelando uma cultura que valoriza a aparência e ignora os impactos psicológicos dessa prática.

Primeiramente, conforme o filósofo Zygmunt Bauman, na “modernidade líquida”, as relações e valores sociais tornaram-se instáveis, levando o indivíduo a buscar aceitação constante. Nesse contexto, a beleza ideal reflete essa fragilidade, pois muitos recorrem às cirurgias para se sentirem aceitos. Além disso, as redes sociais reforçam essa pressão ao exibir padrões inatingíveis de perfeição. Como consequência, cresce a insatisfação corporal e a ideia de que o valor pessoal depende da aparência.

Ademais, em Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, retrata-se uma sociedade que prioriza a aparência e a uniformidade. De forma semelhante, o mundo atual transforma corpos em produtos. Desse modo, a indústria estética, movida pelo lucro, divulga cirurgias como bens de consumo, reduzindo a medicina a um comércio de ilusões e associando felicidade à aparência.

Portanto, o Ministério da Saúde, junto ao da Educação, deve promover campanhas sobre autoestima e diversidade corporal, por meio de ações em escolas e redes sociais, a fim de alertar sobre riscos e valorizar a aceitação pessoal. Assim, será possível construir uma sociedade mais crítica, que compreenda que a beleza verdadeira está na autenticidade, não na padronização.