A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 21/07/2021
De acordo com a Constituição de 1988 a saúde é um direito de todo cidadão e deve ser garantida pelo Estado. No entanto, a banalização das cirurgias plásticas na sociedade atual demonstra a insatisfação crescente dos indivíduos com seus traços estéticos, podendo acarretar complicações devido as intervenções. Nesse viés, tal contexto demonstra a pressão estética impulsionada pelas redes sociais e a constante exigência da sociedade capitalista.
De início, deve-se caracterizar como as redes sociais contribuem para o aumento do número de intervenções estéticas. De acordo com o documentário “O Dilema das Redes”, é o objetivo dos aplicativos de interação social manter os usuários constantemente engajados. Nesse sentido, os indivíduos serão influenciados a responder aos padrões estéticos vigentes, como resultado da constante exposição da imagem, para se sentirem incluidos. Assim, como argumenta Zygmunt Bauman, o imediatismo e superficialidade das redes alavanca alterações no comportamento, como a busca por cirurgias plásticas.
Outrossim, é pertinente destacar a influência da lógica capitalista na promoção das intervenções cirúrgicas. Como exemplo, na Coréia do Sul, como demonstra reportagem da BBC, indivíduos cada vez mais se submetem a cirurgias em busca de novas oportunidades de emprego e sucesso na carreira. Dessa forma, ao atender ao padrão de beleza, o indivíduo torna-se mais aceitável para ser incluido no mercado de trabalho, sendo essa atitude movida pela busca do lucro máximo, ideologia que move as atitudes financeiras da sociedade contemporânea.
Destarte, ações são necessárias para mitigar tal banalização. Logo, cabe ao Estado a conscientização das populações acerca dos padrões irreais de beleza presentes nas mídias e a reestruturação do sistema empregatício por meio de palestras e cartilhas providenciadas aos cidadãos, a fim de promover uma sociedade mais receptiva para com os diferentes biotipos e mais justa. Só assim, o mundo tornar-se-à um local mais igualitário.