A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 22/07/2021
“Pretty hurts” é uma música da cantora Beyoncé que mostra um dos lados mais sórdidos dos concursos de beleza: o lado da pressão psicológica que degeneras as modelos. Tal pressão ocorre, tanto na canção quanto na sociedade, em virtude da existência de um ideal de sublimidade para o corpo das modelo, o qual faz, muitas vezes, com que indivíduos se submetam a procedimentos maléficos para o alcançar. Isso posto, é notável o fato de que o meio civil participa de um processo de trivialização das cirurgias estéticas para estar de acordo com o ideal de modelo almejado, e esta banalização ocorre, máxime, por conta de dois precípuos fatores, a idealização da imagem e o irrompimento do mundo da vida.
A priori, necessário se faz pontuar que, além do acúmulo de capital, o acúmulo de imagens é um bem preciso no contemporâneo. Segundo o filósofo Guy Debord, as sociedades contemporâneas são de espetáculo, ou seja, elas valorizam o que mais é importante em um espetáculo: a imagem. Entretanto, a imagem passa a não ser mais apenas reflexo do ser, mas a representação dele de modo perfeito e ideal, já que a imagem é necessariamente mostrada a outros indivíduos e, dessa forma, pode ser manipulada por seu dono. Assim sendo, é notório que as redes sociais causaram a maior incidência do conhecimento sobre a imagem - diferente do ser - dos seus usuários, o que criou um ideal imaginário de perfeição social, que leva os indivíduos à busca pela metamorfose para se transformarem em suas imagens, ponto em que se chega a massive realização de cirurgias plástica e, por conseguinte, sua banalização.
Ademais, também é fulcral se pontuar que a vida privada não é privada no contemporâneo. Segundo o filósofo Jürgen Habermas, os grotescos meios de comunicação que veiculam propagandas e o capitalismo invadiram a vida interpessoal, uma vez que passaram a influenciar as decisões humanas e, assim, a manipular os civis. Dessarte, é notório um dos indeléveis motivos que levam a banalização das cirurgias plásticas: com a grande incidência de propagandas sobre as mesmas mostradas aos cidadãos, estes se encontram em constante contado com o ato cirúrgico, o que o torna, em certa medida, comum e presente no cotidiano cívico, e isso influencia a decisão dos indivíduos acerca da realização de uma cirurgia estética.
Portanto, deve-se concluir que existe a banalização das cirurgias estéticas. Logo, deve o governo, composto pelos mandatários incumbidos de assegurar o bem cívico, conscientizar, por meio da disseminação massiva, a população acerca dos riscos de se submeter a uma cirurgia estética, com o fim de fazer com que esta seja vista como viável apenas em última instância.