A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 22/07/2021
No livro “Ditadura da Beleza” de August Cury, são relatadas as consequências negativas da padronização estética no cotidiano feminino. Paralelamente, entende-se que as mulheres, graças à pressão social, muitas vezes, submetem-se a cirurgias plásticas desnecessárias em busca de uma perfeição inexistente. Dessa forma, é possível perceber que tais submissões ocorrem influenciadas pela mídia, que promove as cirurgias como um meio fácil para obtenção de sucesso social, o que, junto da falta de senso crítico e da educação emocional da população, banalizam esses procedimentos.
Em primeira análise, vale ressaltar que a mídia tem grande poder nas decisões pessoais e coletivas da população. Dessarte, o filósofo francês Pierre Bourdieu, em seu livro “O Poder Simbólico”, define que mecanismos democráticos, tais como a mídia, não devem se tornar instrumentos de opressão simbólica, uma vez que foram feitos para garantir a harmonia social. Nesse sentido, compreende-se que, ao implantar um falso ideal de beleza nas mentes brasileiras, a mídia, por suas diversas vias, estabelece a busca por um padrão estético irreal à grande parcela da sociedade, o que leva aos altos números de cirurgias plásticas anuais e de danos fisicos e psicológicos. Logo, não é razoável que o Brasil continue a perpetuar a padronização estética e a banalização das cirurgias plásticas.
Outrossim, é perceptível que, para sofrer tal influência midiática, a população brasileira carrega uma lacuna educacional direcionada à construção do senso crítico e emocional. Desse modo, consoante o professor brasileiro Paulo Freire, “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Dessa maneira, é notória a necessidade do desenvolvimento socioemocional desde a infância, visto que reconhecer as diferentes belezas em um país miscigenado, como o Brasil, e entender os fatores prejudiciais da trivialização das cirurgias plásticas como forma de padronizar a estética são essenciais para a formação de uma sociedade mais saudável fisico e mentalmente. Assim, é fundamental a intervenção socioestatal para solucionar as questões em debate.
Portanto, medidas são necessárias para solucionar a banalização das cirurgias plásticas no Brasil. Em vista disso, cabe ao Ministério das Comunicações, com o auxílio de artistas e de influenciadores digitais, reverter a padronização estética por intermédio de vídeos postados na Internet pelos famosos e exibidos na televisão aberta pelo Governo Federal para que não haja mais a glamourização das cirurgias plásticas. Também, é dever das escolas e das secretarias muncipais de educação auxiliar os alunos na construção do senso crítico e emocional, por meio da inclusão da matéria de sociologia na grade curricular obrigatória desde a infância, havendo, assim, o estudo socioemocional desde os primeiros anos letivos, com a finalidade de valorizar as diferenças estéticas da população brasileira e não trivializar o apreço por cirurgias desnecessárias desde a menoridade.