A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 22/07/2021
O filme “Dumplin”, disponível no Netflix, discorre sobre Willowdean, uma jovem que foi criada em uma cidade sede de concursos de beleza. Dessa maneira, a garota decide participar do concurso de beleza, um fim de mostrar que ela não precisa estar dentro dos padrões exigidos, especialmente em relação ao seu peso. Assim, a partir da atitude da jovem, algumas meninas que também estão disponíveis para o “padrão” se juntam a ela. Consoante a obra cinematográfica, vê-se que uma atitude pode impulsionar positivamente as pessoas ao seu redor. Todavia, nota-se que a realidade é diferente, posto que as pessoas são influenciadas pelas redes sociais a questionarem a sua aparência, gerando a grande busca e, consequentemente, a banalização das cirurgias plásticas. Desse modo, tal persuasão é inconcebível e merece um olhar mais crítico.
Em primeira análise, é importante pontuar que o capitalismo presente na internet corrobora com tal influência, já que as redes viraram uma “vitrine” de procedimentos estéticos. Dessa forma, a publicação de transformações de faces e corpos que são considerados “feios”, pode gerar insatisfação dos usuários com sua própria imagem, causando a perpetuação da busca por cirurgias plásticas, que acabam se transformando normais perante os olhos da comunidade. Por conseguinte, essa ânsia prejudica que o indivíduo reflita sobre tal decisão.
Outrossim, cabe também mencionar que uma divulgação de procedimentos de beleza por influenciadores digitais sustenta a romantização do mesmo na população. Dessa maneira, é importante registrar que as redes sociais estão cada vez mais obtendo a todos os públicos, ou seja, muitas crianças e adolescentes também são expostos a mensagens que são propagadas na internet, inclusive em relação às cirurgias plásticas que figuras públicas realizam. Tal exposição estimula que essa faixa etária cresça com a ideia de que é necessário modificar o próprio corpo para estar dentro de um padrão, haja vista que, segundo a SBCP - Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica -, o número de procedimentos estéticos realizados em jovens brasileiros de 13 a 18 anos subiu em 141% nos últimos dez anos.
nfere-se, portanto, que o incessante compartilhamento de cirurgias plásticas gera a normalização do mesmo. Logo, medidas públicas são necessárias para definir esse cenário. Por isso, é fundamental que o Poder Legislativo crie projetos de lei que impeçam propagandas de cunho estético, com o intuito de proteger os usuários de desenvolver uma concepção de que é normal realizar cirurgias somente para se encaixar nos parâmetros ditados pela sociedade.Dessarte, espera -se que da mesma forma que Willowdean cativou o amor próprio em suas amigas, outras pessoas sejam igualmente motivadas a se amarem.