A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 07/08/2021

Na música “Mrs. Potato Head”, a cantora Melanie Martinez crítica e reflete os padrões estéticos impostos pela mídia e como o culto ao corpo perfeito resulta no aumento das cirurgias plásticas e dos efeitos colaterais dessas. Paralelo a isso, a busca para à padronização corporal no Brasil continua enraizado na sociedade e ainda interfere no crescimento e na banalização dos procedimentos plásticos. Diante desa perspectiva, a influência midiática e a ausência de políticas públicas agravam a problemática.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a interferência da mídia como um problema. Sob esse viés, segundo o escritor Guy Debord, em seu livro “sociedade do espetáculo”, os indivíduos vivem em uma performance constante e sempre aparentam perfeição, além de criarem uma utopia e uma ilusão de tentar trazer esses “padrões” para a realidade. Nessa lógica, as mídias sociais estão inseridas no dia a dia e através da imagem ela manipula e controla os padrões estéticos. Desse modo, as pessoas motivados pelos meios de comunicação tentam se aproximar dessa perfeição apontada por essas performances, o que origina no aditamento dos procedimentos estéticos e provoca consequências, como cicatrizes, manchas, hematomas e até mesmo mortes. Logo, é inadmissível que esse cenário imposto pelas redes sociais continue a pendurar, visto que conforme dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, o Brasil realiza anualmente mais de 1,5 milhões de processos estéticos.

Ademais é fundamental apontar a escassez de políticas públicas como impulsionador da questão no país. Nesse âmbito, de acordo com o filósofo Thomas Hobbes, essa situação configura-se como uma violação da sua teoria de “contrato social”, já que o Estado não cumpre com o seu dever de garantir os serviços necessários para o bem-estar da população. Nessa linha de raciocínio, é função do Estado trabalhar nos fatores que levam a sociedade realizar cirurgias plásticas, entre eles a baixa autoestima, saúde mental afetada e a tentativa de se encaixar na “perfeição” propagada pelos meios digitais. Assim, o debate sobre essas cirurgias e suas motivações é necessário para reduzir sua banalização.

Dessa forma, medidas são necessárias para combater esse impasse. Para isso, cabe ao Governo, em parceria com as mídias e psicólogos, a elaboração de campanhas publicitárias, por meio de anúncios transmitidos nos canais de televisão e mídias sociais, com o objetivo de informar os perigos das cirurgias plásticas, além de fornecer suporte psicológico para os interessados nesses procedimentos de forma gratuita, a fim de diminuir a banalização das cirurgias plásticas no Brasil. Portanto, se consolidará uma sociedade mais abrangente, na qual o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma Thomas Hobbes.