A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 23/07/2021

Na animação japonesa “Ghost in the shell”, é apresentada uma sociedade futurista, onde é comum trocar partes do corpo por proteses tecnológicas. Apesar de ficcional e representar um futuro distante, a obra retrata um problema da sociedade contemporânea de forma indireta: a banalização de procedimentos estéticos. Esta banalização tem como causa principal o capitalismo, com sua sede de lucro, e é reforçada pela mentalidade patriarcal da população.

Primeiramente, a busca desenfreada por cirurgias plásticas é um fruto do sistema econômico vigente. No livro “Sapiens: uma breve história da Humanidade”, o autor demonstra que ao mesmo tempo que as grandes empresas massificam o consumo de comida industrializada, que causam problemas de saúde e levam à obesidade, elas também vendem um padrão de beleza por meio das propagandas, o que incentiva a população à realizar procedimentos estéticos para se adequar ao que é considerado belo. Percebe-se, assim, que a banalização das cirurgias plásticas é do interesse dos capitalistas, que, dessa forma, lucram duas vezes.

Além disso, a sociedade patriarcal consegue reforçar a normalização da alteração corporal. Segundo a Sociedade Internacional de Pesquisas Estéticas, 87,4% daqueles que realizam cirurgias plásticas são mulheres. Isso é causa direta de uma mentalidade machista, que impõe, ao feminino, um papel social que requer adequação aos padrões de beleza. Dessa forma, a sociedade patriarcal naturalmente empurra as mulheres ao consumo de mudanças corporais, reforçando a banalização delas.

Portanto, é evidente que a procura impensada por procedimentos estéticos é causa do capitalismo e de uma mentalidade machista. Então, para reduzir a normalização desta conduta e criar uma sociedade mais saudável, é necessário que o Governo Federal, pelo Ministério da Educação, conscientize os mais jovens sobre as imposições estéticas do lugar em que vivem, por meio da realização de palestras e discussões nas escolas. Tal ação desenvolveria o senso crítico dos alunos, seguindo as ideias de Paulo Freire, contribuindo para a libertação intelectual da população.