A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 26/07/2021
Durante a Primeira Guerra Mundial, as cirurgias plásticas foram usadas pelos médicos para tratar pacientes com lesões faciais, proporcionando a esses melhores condições de vida. Atualmente, a realização de tal prática, muitas vezes, embora tenha passado por avanços importantes para garantia de seguridade dos que optam por realizé-la, tem ocorrido de forma exacerbada, sendo banalizada. Nesse contexto, torna-se preciso analisar as propagandas que ronda as cirurgias plásticas e a busca pelo encaixe em padrões de beleza socialmente impostos como fatores responsáveis por essa situação.
Cabe analisar, a princípio, que a trivialização atual das cirurgias plásticas ocorre graças a propagandas a elas direcionadas. Sob esse viés, é possível destacar o papel crucial dos avanços comunicativos, ocorridos com a Revolução Técnico-científico Informacional, como principais ferramentas de auxílio, uma vez que possibilitam a disseminação de conteúdos em larga escala. Nessa perspectiva, pode-se observar, por exemplo, as propagandas veiculadas as redes sociais que, com o apoio dos “Influenciadores digitais” - que realizam e divulgam os procedimentos, além de disponibilizarem cupons de desconto para seus seguidores - aumentam o engajamento das cirurgias e a consequente banalização.
Outrossim, é necessário destacar, também, a busca dos indivíduos por se encaixarem em um padrão de beleza imposto pela sociedade como outro impulsionador da banalização. Nessa ótica, isso pode ser explicado pelo papel central da sociedade em influenciar, de forma coercitiva, a formação dos indivíduos, como defendido pelo sociólogo Durkheim. Dessa forma, baseado em exigências para que as pessoas se enquadrem no considerado “aceitável”, a sociedade impulsiona a realização das cirurgias plásticas de forma banal ao colocar os indivíduos em moldes que, pré-definidos, criam um padrão estético a ser seguido. Assim, sem levar em consideração as singularidades existentes na população, esse ato social cria necessidades de mudanças físicas desnecessárias, sendo precido alterações.
Portanto, tendo em mente as propagandas e a influência social, urge que o governo federal, em parceria com a mídia, elabore o projeto “Belo”, voltado a trabalhar, em todos os setores sociais, com os diferentes tipos de beleza existentes atualmente. Para tanto, isso pode ser realizado por meio de palestras e campanhas - divulgadas pelas emissoras de televisão em horário nobre - e por redes sociais ligadas ao Estado. Nesse sentido, o intuito de tal ação é levar as pessoas a se aceitarem como são e não realizarem procedimentos estéticos, como as cirurgias plásticas, apenas para seguirem o que a sociedade tem como correto.