A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 25/08/2021
“O essencial é invisível aos olhos” é a máxima consagrada no livro “O Pequeno Príncipe”, do francês Antoine de Saint-Exupery. Infelizmente, a frase não tem tido palco na modernidade, haja vista que a aparência está sendo cada vez mais aclamada e, com isso, as cirurgias plásticas cada vez mais banalizadas. Isso ocorre em detrimento da manipulação midiática que promove padrões de beleza altíssimos e, também, a liquidez das relações humanas, marcadas por extrema futilidade. Dessa maneira, é imperioso que essa chaga social seja aplacada a fim de que não haja normatização na estética radical.
Em primeira instância, vale ressaltar a influência das redes sociais, e da mídia como um todo, na forma que o indivíduo enxerga a si mesmo. De acordo com o autor George Orwell, a mídia mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia manipula a massa. Em outros termos, a mídia dita-com constante manipulação- os objetos de desejo do jovem. Tendo isso em vista, diante do cenário das redes sociais de corpos perfeitos e idealizados a cirurgia plástica é colocada como algo indispensável e, logo, banal para alcançar o objetivo de encaixar-se naquele patamar. Desse modo, a comparação constante com os ícones de beleza da mídia torna os procedimentos plásticas normais, comuns e necessários para equiparar-se.
Por consequência da manipulação midiática, e em adição a isso, nasce a liquidez das relações que visa apenas o culto à aparência. Em conformidade com a tese filósofica de Zygmund Bauman, vive-se em tempos líquidos, sem profundidade e estabilidade, transparentes e passageiros, como a água. Nesse espectro, nada torna-se mais importante do que cuidar da casca, da aparência. Destarte, não pesa-se os ônus da estética radical, pois, na visão hodierna, a aparência é o mais importante. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), o Brasil é o país em que mais pessoas optam por passar pelos procedimentos plásticos, isto, vinculado aos índices alarmantes de presença nas redes sociais, evidencia uma lavagem cerebral e, por conseguinte, uma banalização das cirurgias plásticas.
Depreende-se, portanto, a necessidade da adoção de medidas para mitigar a banalização das cirurgias plásticas na modernidade. Para tanto, urge que o Ministério da Saúde promova campanhas suficientes para expor a seriedade dos procedimentos, por meio das mídias de grande alcance com banners, cartazes de divulgação e minivideos com depoimentos e fatos sobre as cirurgias plásticas. Para que possa estar ao alcance do público em junção com as imagens idealizadas, logo, equilibrando o ambiente. Só assim, a máxima do autor francês terá espaço para mostrar o essencial é sim invisível aos olhos.